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Opinião

Tempos de inseguran�a

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Na quinta-feira, o mundo foi surpreendido por mais um atentado terrorista, desta vez em Manchester, Inglaterra, durante um show da cantora pop Ariana Grande. O ataque de um homem-bomba, executado contra uma multidão de crianças e adolescentes, deixou 22 mortos e 59 feridos. Foi o pior atentado em solo britânico desde a explosão de bombas no metrô, em 2005, que matou 54 pessoas. Além da tragédia humana, o episódio renova os temores relacionados à radicalização independente de cidadãos residentes nos países europeus, pois não é possível determinar se há conexão direta entre grupos extremistas e o responsável pela ação. Esse aspecto mostra a dificuldade de combater os atos de terrorismo. O fato é que esses ?lobos solitários? estão se tornando cada vez mais numerosos. Para analistas, vários fatores explicam o fenômeno. A internet e as redes sociais permitem a disseminação de ideologias radicais, que encontram eco em indivíduos que vivem em busca de uma causa. Há também uma mudança das grandes organizações terroristas para formas de conflito mais descentralizadas e individualizadas. Muitos ataques são levados a cabo por indivíduos inspirados por essas organizações e sua visão do mundo, embora não façam parte delas e operem de forma independente. A imprevisibilidade dos ataques também é ferramenta na estratégia de medo e terror. O terrorismo não é um fenômeno novo na história da humanidade, mas o processo de globalização permitiu a transformação do caráter, dimensão, capacidade letal e as formas de percebê-lo. Agora, os países buscam formas de fazer frente a ele, mas é um luta difícil, que requer uma resposta coletiva e integrada da sociedade internacional. Não basta, porém, reprimi-lo. É preciso também atacar a essência do problema, que é o subdesenvolvimento. As desigualdades econômicas, de educação, de saúde e de mobilidade social assim como as consequências danosas do desemprego, especialmente nos jovens, são fatores que atuam como catalisadores. É urgente adotar estratégias de desenvolvimento, de cooperação regional e internacional na base de uma verdadeira parceria em benefício de todos. A luta contra o terrorismo em todas as suas dimensões constitui um desafio comum.

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