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O SENADO E O POVO BRASILEIRO

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Não é a primeira vez que comparo o Brasil ao Império Romano, mas vejo a cada dia a nitidez de minha analogia. Não perdemos ainda a unidade nacional, porque a corrupção une a federação. Mas, estamos rasgando a lábaro de nosso orgulho. Vivemos a tirania da ganância, do engodo, da farsa que se disfarça em metáforas para cegar os incautos, de espírito pequeno que alardeiam defesas a uma fúfia de políticos e partidos moribundos em troca de obséquios. Será que nunca termina esta fila de maganões que desfilam em gala rindo da plateia? Ou não haverá grilhão bastante para encerrar toda a corja? Vejo o Brasil como Agostinho viu Roma em sua obra ?Cidade de Deus?, quando desabafou exausto e disse: ?Desterrada a justiça, que é todo reino, senão grande pirataria??. Ou melhor dizendo: ?Sem a prática da justiça, que é o Estado, senão um bando de ladrões?? Estamos órfãos de um País que agoniza, enquanto um séquito de harpias continuam tentando garantir sua sobrevivência. A expressão: ?o Brasil e o povo brasileiro? não significa menos do que o acrônimo SPQR, principalmente se nos perguntarmos: quem é o Povo Brasileiro? Nosso Senado é diferente do Senado Romano? Se você parar para analisar, o povo brasileiro é representado apenas por essa elite parasita que permeia o executivo, o legislativo e até mesmo o judiciário. São esses os protegidos pela constituição. São esses os intocáveis nos seus direitos. São esses que representam o ?Povo?, não nós trabalhadores, não aqueles que produzem as riquezas, pagam impostos, geram empregos e são corrompidos quando vão trabalhar para o governo. O prejuízo moral do Brasil é cem vezes maior do que o seu prejuízo econômico. Dizer que a economia estava se recuperando é dar crédito a números aleatórios, sem analisar o aspecto social que representa a quebra da economia brasileira. Não estamos falando de grandes empresas que se arrastam em situações ainda controláveis, mas de pequenos empreendedores que se desiludiram. Passem pelas ruas e veja quantas placas de aluguéis em redutos comerciais. São estes, que supostamente chamamos de ?povo brasileiro?, mas que na verdade estão entregues a sua própria sorte. O meu Brasil brasileiro tem dinheiro para banqueiro quebrado e para fazer um açougueiro chegar à capa da Forbes, mas o pequeno que quebra é só um incompetente. E eu sou mais um destes brasileiros, que assiste estarrecido a revelação do advento desses conluios e seus desdobramentos. Há algum justo nesta História? Procurem-no. Ainda podemos salvar o Brasil.

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