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Opinião

EXAUST�O POL�TICA

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O Brasil está à beira da exaustão política. Depois de um processo de impeachment traumático ? que levou às ruas grupos antagônicos, revelando nichos de pensamentos radicais ?, dos desdobramentos da Operação Lava Jato e suas consequências devastadoras, dos embates no Parlamento por conta de medidas impopulares, eis que nos deparamos com gravações às escusas que desnudam figuras emblemáticas do exercício do poder no nosso País. O Presidente da República foi flagrado numa dessas gravações feitas a partir da orientação da Procuradoria Geral da República. Um forte abalo, um duro golpe, que deixou, mais uma vez, atônitos os brasileiros. ?O que vai acontecer agora??, ?O que vamos fazer??, ?O que será da nossa Nação??, são perguntas recorrentes que denotam o estupor e apontam, por assim dizer, que chegamos ao fim da jornada, como um viajante perdido, extenuado, que não podendo mais caminhar entrega-se aos desígnios da natureza. Mas não podemos quedar diante da crise. Por mais absurda que seja a situação, o arcabouço constitucional brasileiro garante saída para o caos. É fato que o Executivo está fragmentado, sem forças, o que indica falta de governabilidade. A admissão de encontro às escondidas com personagem investigado pela Justiça seria, por si só, motivo para investigação. Um presidente não tem a prerrogativa de fazer tudo sem prestar contas a ninguém. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto, citando o ditado romano. E honestidade parece ser o que falta nesse imbróglio. Ao presidente caberia renunciar, sofrer um processo de impeachment, ou deixar a solução nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral, que deve, em breve, julgar a chapa Dilma-Temer, eleita sob suspeita de uso de Caixa 2, podendo cassar ambos. Qualquer que seja o desfecho ? poucos acreditam que o governo prossiga até o próximo ano ? haverá a vacância, e aí teremos que nos debruçar sobre o que manda a legislação ou recorrermos a medidas extraordinárias, como eleições diretas ? desde que isso surja de um clamor popular. A Constituição é clara. Assume o presidente da Câmara, o Congresso é acionado e uma eleição é feita observando-se critérios que ainda estão sendo esmiuçados. O Supremo Tribunal Federal, segundo notícias veiculadas ontem, deverá estabelecer o rito (tem que ser parlamentar? Tem que estar filiado? Pode ser qualquer cidadão?). O mais capacitado toma posse para conduzir o País até o próximo pleito eleitoral. Há resistência ao que preconiza a Lei, afinal os políticos estão sob suspeição, dizem, o que é uma aleivosia. Se nesse momento ignorarmos a Lei e partirmos para o casuísmo, para o vale tudo, vamos estar referendando a tese de que o Brasil está perdido, não tem jeito. Isso não pode acontecer. Precisamos superar essa etapa, acreditar na política e reorganizar a Nação com uma Assembleia Nacional Constituinte. A PEC 312, apresentada por nós, propõe que o próximo Congresso eleito seja também Constituinte. É a chance de nós, brasileiros, passarmos a borracha na corrupção e construirmos uma Nação sob outros moldes.

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