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Opinião

Esvaziamento

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A cada dia que se passa fica mais evidente o enfraquecimento do poder do presidente Michel Temer. Mesmo tentando tocar o governo e aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, sua situação continua delicada e, nos bastidores, sua base aliada já trabalha com um cenário de eleição indireta para substituí-lo. Desde a divulgação de uma conversa sua com o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, Temer mergulhou um inferno astral. Apesar de a gravação não trazer nada conclusivo, o estrago político foi grande e minou-lhe o pouco de credibilidade que lhe restava. Esse esvaziamento do poder traz efeitos negativos para a nação. A situação se agravou ontem com os atos de violência registrados em Brasília. Mascarados se infiltraram entre os manifestantes que protestavam contra as reformas e promoveram cenas de vandalismo reprováveis. A resposta de Temer é um daqueles casos em que a emenda pode ser pior do que o soneto. Temer apelou para um instrumento previsto em lei e assinou decreto convocando as Forças Armadas para proteger os ministérios. A medida provocou enfrentamentos no Congresso. Parlamentares chegaram a se agredir. Opositores classificaram a medida como uma espécie de formalização do ?estado de exceção?. No campo político, Temer ainda conta com o apoio do seu principal aliado, o PSDB, que sofre pressão de alas do partido para um desembarque imediato do governo. Outros partidos que formam a base do governo também estão na iminência de pular fora do barco. Na bolsa de apostas, especula-se quanto tempo mais o presidente conseguirá se segurar no cargo. Enquanto isso, já se pensa em nomes para ocupar a cadeira. A situação exige cautela e bom-senso. Como afirmou o senador Fernando Collor, o Brasil é muito maior do que essa crise, e a Constituição oferece caminhos necessários para sair dela. O momento é delicado, pois havia pouco o País estava mergulhado numa crise e, quando parecia que estava se recuperando dela, eis que uma nova desponta. A saída parece passar por uma profunda reforma política, que fortaleça os partidos, corrija as distorções do nosso sistema eleitoral, para que o eleitor se sinta, de fato, representado. É fundamental que o cidadão não perca o que resta de confiança em suas instituições.

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