loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A Igreja de hoje

Ouvir
Compartilhar

DOM EDVALDO G. AMARAL * Saindo da Assembléia Regional do Povo de Deus do Nordeste 2, fiquei com esta convicção: a Igreja caminha cada vez mais fora da orientação, do ensino e diria até ? numa expressão talvez vigorosa e polêmica ? fora do controle da hierarquia: padres e bispos. Isso sem falar do Magistério Supremo, que é exercido para toda a Igreja, através do ministério petrino do Sumo Pontífice e pelo conjunto de organismos eclesiais, que denominamos Santa Sé. Vejo neste fato, que vem caracterizando a Igreja de nossos dias, duas conseqüências: uma positiva, altamente promissora e outra, negativa, preocupante, porque traz em seu bojo perigosos desdobramentos, que culminam na heresia e no cisma. A positiva é que o leigo está finalmente assumindo o seu protagonismo, tão bem proclamado em Santo Domingo. Vemos os leigos à frente da coordenação pastoral de várias dioceses de nosso Regional. Vemo-los em inúmeras pastorais, movimentos e serviços, unidos aos seus pastores e em estreita colaboração com eles. Não conheço paróquia, bem organizada e eficiente na ação evangelizadora, sem contar com um grande número de leigos, devidamente preparados, com boa formação bíblica e teológica e com acendrado amor a Cristo e dedicação incondicionada à Igreja e ao povo de Deus. E, graças sejam dadas a Deus, em nosso Nordeste 2 contamos com um bom número de paróquias, assim organizadas. Foi o que ficou evidenciado nos dias laboriosos, que vivemos em Jaboatão dos Guararapes/PE, na Colônia dos Padres Salesianos, de 13 a 16 de março último. Porém, pelas notícias que recebemos, recentemente e, sobretudo, por certos programas a que assistimos em nossas tevês católicas, também conduzidos por padres, chegam-nos informações estarrecedoras e preocupantes, principalmente a respeito da Sagrada Liturgia. Na ânsia de obstar o avanço das seitas ? coisa em si compreensível e até, sob certos aspectos, louvável ? vemos padres e leigos praticarem uma liturgia, inteiramente afastada das determinações da Sé Apostólica e das orientações de seus pastores diocesanos, que eles ignoram por completo, numa postura de olímpica superioridade. São celebrações de curas, quase forçadas, exigindo milagres de Deus, de forma espetacular e circense. São missas-shows, que já nada têm a ver com o Sacrifício Eucarístico ? a oferta ao Pai do sacrifício redentor do Cristo ? perpetuado sobre nossos altares. São filmagens da hóstia consagrada, com se ela fosse uma imagem qualquer, uma representação, um simbolismo e não a presença real do Senhor Jesus, na qual a fé católica ? não necessariamente a fé dos telespectadores ? nos ensina estar realmente presente o Senhor sob as espécies, as aparências do pão. Está presente para ser adorado pelos fiéis, não exibido ao público televisivo, como simples ícone de uma verdade, que estaria por detrás do símbolo. Vejo assim algo de positivo no avanço da Igreja com o povo de Deus em marcha, seguindo os sinais dos tempos, e algo de perigoso e assustador nesta independência e afastamento das normas que regulam o culto público, que é o culto da Igreja, como Esposa de Cristo, a Igreja-Corpo Místico, o Cristo Total, de que já falavam os santos padres dos primeiros séculos. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

Relacionadas