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A eleg�ncia do capital

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EDUARDO BOMFIM * Finalmente a guerra anunciada chegou sem ser convidada. Pelo contrário, vem sendo repudiada em todo o mundo, através de manifestos, declarações de líderes de inúmeros países e manifestações que envolvem centenas de milhões de pessoas em todos os continentes. A América do Norte, que se vangloriava como defensora dos direitos individuais e bastião da democracia, recua aos temíveis períodos do Macarthismo, quando figuras do mundo intelectual, político e artístico foram perseguidas, desmoralizadas, enxovalhadas. Destaca-se, como uma das principais vítimas, o extraordinário Charles Chaplin, criador do célebre vagabundo, personagem imorredoura do cinema que encantou, sensibilizou gerações e educou-as no sentido de um mundo mais humano e socialmente justo. O ator adquiriu uma maior estatura, ao enfrentar o tribunal de inquisição, negando-se a delatar seus companheiros de profissão e, ao mesmo tempo, agigantando-se à dimensão de verdadeiro homem, ignorando solenemente a legalidade do Comitê de Atividades Antiamericanas. Preferiu o exílio. Os EUA adotam, agora, contra seus intelectuais, perseguições semelhantes. A cultura encontra-se sob severa vigilância. Todos os artistas ou personalidades do mundo acadêmico. Inclusive jornalistas, que se insurgem contra a guerra imperialista em curso, promovida pelo seu governo, tornam-se alvo implacável de censura ou boicote generalizado. A terra que se proclamava guardiã dos direitos individuais, da liberdade de expressão, transmutou-se em um Estado quase fascista, externa e internamente. É bem verdade que para muitos já o era. Porque lá sempre foi o templo principal da intolerância racial contra os negros, por exemplo, e mais recentemente os latinos de várias nacionalidades. Claro que são muitos os norte-americanos progressistas no passado e presente. Principalmente nos grandes centros. No entanto, poucos sabem que um muro da vergonha bem mais extenso que o erguido em Berlim, existe na fronteira com o México. De quem por sinal, os EUA anexaram, pela força, grande parte do seu atual território. Domingo, um programa da Rede Globo de Televisão mostrou a vida e a perseguição dura, crua, implacável que sofrem os brasileiros, imigrantes clandestinos, lá na ?terra abençoada?. Para a classe média abastada, e certos segmentos letrados, morar perto do Central Park, representava ou ainda representa, uma absorção quase porosa de cultura, civilização e, acima de tudo, sinal de status. Mesmo que isto venha a significar discretos vexames, aqui e ali. Inconfessáveis, é óbvio. Falar inglês, então, é o máximo, o sublime. Não importa se o cidadão desconhece ou reconhece muito pouco da sua cultura, identidade ou a História do seu país. A cultura predominante nos EUA é simbolizada pela busca do lucro, do ?tempo é dinheiro?, na competição irrefreável, ávida por espaço, nem que por isso sacrifique-se o amigo, a amiga, o companheiro de trabalho. Nos últimos 50 anos herdamos fortes traços deste modo de vida e sinceramente, não consigo achar uma explicação que permita afirmar que ficamos melhores em alguma coisa que preste. O Brasilnecessita, e muito, superar as suas imensas desigualdades sociais, porém, trilhando os nossos próprios caminhos de acordo com a nossa conformação antropológica e elevação de nossa auto-estima. Além das prioridades de uma nação que possui um papel singular no contexto internacional. Não devemos nos fechar ao mundo. Mas nós possuímos uma trajetória própria, e abdicar dela em função de um estilo de vida belicoso, expansionista, seria um crime de lesa pátria. Os nossos costumes são outros e eles precisam se desenvolver, avançar para escalas superiores. Precisamos ter a exata consciência de que poderio econômico e militar não implica em superioridade cultural. O único exemplo que fica desta violenta escalada anglo-americana é a elegância do capital colonizador de novo tipo. Punhos de renda, finos talheres e porrete em mãos sujas de sangue. (q) É ADVOGADO

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