Opinião
A CRACOL�NDIA MUDOU DE ENDERE�O
É demasiado repetir que o País vive uma crise política e institucional grave, assim como fantasiar que o governo tem oxigênio para respirar por mais tempo. A crise é uma entre tantas desde a Proclamação da República que derrubou a Monarquia em 1889. Felizmente, após a reconquista do estado democrático em 1985 entre tropeços e desmandos, dois impeachments de presidentes, imaginamos estar longe o envolvimento militar no processo. É a nossa crença. A agonia um dia passará e então reconquistaremos a tranquilidade e o desenvolvimento com paz para todos, inclusive para os ?cracoleiros? da perturbada oposição ilógica, sem argumentos, antiética e vazia de princípios ideológicos. Simplesmente um bando (com algumas exceções), espetaculosamente histérico! Figurinhas carimbadas que todos conhecemos. Ordem e bem-estar passam longe dos seus preceitos. O impeachment do Presidente Collor em 1992 foi um processo traumático, mas não trouxe consequências danosas para a sociedade brasileira como as que ocorrem nestes novos tempos. O País aos poucos foi reencontrando o seu rumo, venceu a corrosão da inflação, reacendeu a chama do crescimento, estabilizou a economia, a indústria avançou. Não é demais lembrar que o Congresso Nacional daquele ano atormentado tinha nomes da maior estatura e respeitabilidade, com destaque para os oposicionistas. Cidadãos da estirpe de Darcy Ribeiro, Afonso Arinos, Pedro Simon, Miguel Arraes, Nelson Jobim, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e outros dignos parlamentares que o eleitorado orgulhava-se de tê-los como representantes. Triste dizer que política brasileira está dividida em facções que cultuam mandamentos da cartilha preconizadora do ?quanto pior, melhor?. A loucura da Cracolândia mudou de endereço instalando-se onde traficantes da moral operam livres acobertados por siglas de poderosos grupos empresariais financiados pelo estado para comprarem e venderem dignidade. Comprarem e venderem o País para os chapados viciados em propina. O barulho ensurdecedor de britadeiras e retroescavadeiras, serras e facas de corte afiadas dos frigoríficos prenunciam a tritura do resto que achávamos existir de honradez no centro das grandes decisões nacionais. No ?Fora, Dilma? milhões de pessoas foram às ruas nas cidades brasileiras de forma ordeira, civilizada, protestarem pedindo o fim do governo mais corrupto da história. Não houve baderna, destruição, estúpida violência, gangues contratadas e infiltradas promovendo caos e desordem. Não se destruiu o patrimônio público, nada de derramamento de sangue, ataques à polícia. Simplesmente o grito do povo nas ruas: ?Parem de roubar, ladrões, deixem-nos em paz!? Diferente das imagens que o País viu perplexo nos últimos dias. Cenas comuns de uma Venezuela nos melhores momentos Nicolás Maduro. Justo como orquestraram os senadores petistas que foram ao gabinete do Governador do DF pedirem para a polícia não revistar os ônibus que transportavam vândalos remunerados que chegavam com sacos de armas contundentes para a manifestação contra o corte da contribuição sindical. Essa é a diferença do Brasil dos brasileiros e o Brasil dos sicários e camaleões que mudam de cor conforme o ambiente.