Opinião
Degrada��es
Levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, o Inpe, revela que o desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em um ano, entre 2015 e 2016, quando o bioma perdeu 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo a SOS Mata Atlântica, há dez anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções. Para as duas instituições, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos. O setor produtivo voltou a avançar sobre as florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, e a situação pode piorar. Na semana passada, o Senado aprovou uma Medida Provisória que diminui a proteção ambiental em uma região onde as áreas de conservação federais já são as mais desmatadas. A Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará perdeu 480 mil do seu 1,3 milhão de hectares, que foram incorporados à Área de Preservação Ambiental (APA) do Jamanxim, um tipo de proteção de menor rigor. De acordo com ambientalistas, isso facilitará a legalização de latifúndios irregulares e possibilitará a ocupação de novas terras, hoje intactas, dentro da Floresta Amazônica. Alguns anos antes, em 2012, a tramitação do novo Código Florestal (CF) brasileiro dividiu opiniões, dentro e fora do governo e acirrou um debate entre a relação entre desenvolvimento econômico e a preservação ambiental. Os críticos afirmam o novo código buscou beneficiar apenas os latifundiários, pregando e legalizando o desmatamento. Há também aqueles que o consideram um avanço por tentar consolidar a legislação esparsa e de hierarquia inferior em um único diploma legal, adaptando-a às mudanças ocorridas no País. De qualquer forma, a questão ambiental deve estar sempre na pauta dos governos e da sociedade civil. Foi o que fez a CNBB, ao adotar como tema de sua tradicional Campanha da Fraternidade a defesas dos biomas brasileiros, dando ênfase à diversidade de cada bioma, as relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que neles vivem. Como já bem afirmou o papa Francisco, as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.