Opinião
ALIAN�A DO CRIME
Convocado inicialmente para defender os advogados de Lula, que teriam sido destratados pelo Juiz Sérgio Moro, o ato em Brasília que reuniu os maiores criminalistas do País no dia 21 de maio se tornou um fórum para atacar a Lava Jato, PGR e PF. Estivessem lá apenas Eduardo Cardoso e Fabio Tofic, advogados de Dilma, Guido Mantega, João Santana e Monica Moura, seria apenas a repetição oficial dos punhos em riste do Mensalão. O encontro, porém, foi convocado por Alberto Toron, advogado de Aécio Neves, e por Antônio Mariz, advogado de Michel Temer. Outras 200 pessoas fizeram quorum para os defensores do ?Estado de direito?. O tão temido acordão para findar a Lava Jato, anunciado por Romero Jucá em escuta há um ano, finalmente se materializou. Nasceu oficialmente naquele domingo a Tríplice Aliança do crime. A união dos três maiores partidos do Brasil capitania um bloco de 28 partidos que receberam propina da JBS, Odebrecht e afins, para garantir que tudo continue como sempre foi. A operação Mãos Limpas, investigação italiana que inspirou a Lava Jato, ganhou muitas batalhas, mas no fim perdeu a guerra. Os políticos corruptos conseguiram virar o jogo. Só conseguiram porque o povo italiano deu mais importância os pequenos erros da Justiça do que aos crimes por ela denunciados. Mas, acima de tudo, o povo italiano perdeu a guerra porque, enquanto os políticos estavam unidos para o contra-ataque, os eleitores permaneceram em sua eterna divisão direita/esquerda. No afã de defender os ?seus? ladrões, criaram as condições para a sobrevivência de todos. O projeto de abuso de autoridade está aí. Instadas pelo acordo ruim da PGR com a JBS, as vozes exigindo limites às delações premiadas estão por toda parte. Projetos como o de anistia ao caixa dois permanecem insones nas madrugadas do congresso. Os amiguinhos do PT, PSDB e PMDB, Tóffoli, Mendes e Moraes, estão aí, tentando acabar com a prisão em segunda instância. Se não estivermos aqui, do outro lado, do lado da moralidade, se não estivermos todos juntos, trabalhadores de verdade, empresários honestos, funcionários públicos não comissionados, gente de bem, se não deixarmos nossas diferenças de lado, se não pararmos de defender o rouba mas faz justiça social, o rouba, mas arruma a economia, se não formos às ruas juntos e não em exércitos opostos, seremos todos derrotados.