Opinião
Gargalos
Durante audiência pública realizada ontem pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, do Senado Federal, o ministro do Turismo, Marx Beltrão, defendeu a modernização da legislação que rege a atividade, como forma de reduzir a burocracia, atrair investimentos, favorecer a geração de renda e o desenvolvimento do setor. Para Beltrão, na área de turismo, o Brasil é como um grande transatlântico parado no açude, apesar de ter potencial para navegar pelos mares. De fato, um estudo do Fórum Econômico Mundial reafirmou o que já é sobejamente conhecido: temos os patrimônios naturais e a biodiversidade mais ricos do planeta, mas nosso potencial turístico é limitado por deficiências em segurança, infraestrutura, mão de obra e outros fatores. Numa lista de 136 países, o Brasil aparece em primeiro lugar em potencial de recursos naturais, mas perde competitividade em quase todos os outros 13 itens listados. No ranking geral, fica na 27ª posição. Na avaliação do Fórum, o Brasil também tem recursos culturais muito fortes, que incluem desde patrimônios a eventos esportivos e de entretenimento, e desenvolveu uma estrutura turística relativamente boa, mas peca em outros quesitos. Também não são animadoras as posições de infraestrutura terrestre e portuária, saúde e higiene e sustentabilidade. A situação geral, no entanto, melhorou se comparada a rankings anteriores. Em 2007, o País aparecia no 59º lugar. E em 2015, estava em 28º. Os últimos anos foram intensos para o turismo brasileiro com a realização de megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que deram grande projeção ao País. É preciso, agora, atacar os gargalos estruturantes para explorar todo o potencial de geração e renda que o turismo proporciona, não apenas com a vida de estrangeiros, mas também com as viagens dos próprios brasileiros dentro do País. Mesmo o Brasil sendo o sétimo maior mercado de aviação doméstica do mundo, estados do Norte de do Nordeste se queixam da ausência de voos e rotas insuficientes a preços altos. O Brasil dispõe de 190 aeroportos prontos para receber voos diários, mas apenas 130 aeroportos recebem esses voos diários. Ou seja, há espaço de sobra para crescer nesse setor. É preciso colocar essa ?indústria sem chaminés? para funcionar a todo o vapor.