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INQUIETO TRIUNFO DOS ERROS

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Os erros fazem parte da vida das pessoas e das instituições. Acompanham as definições dos caminhos, as disputas das escolhas e as sugestões das vitórias. O curso dos acontecimentos revela os esforços desenvolvidos em busca dos acertos e dos encontros triunfantes. Os desencontros também compõem as celebrações dos fatos da existência. Tudo participa para os resultados das caminhadas do ser humano. Em célebre entrevista, uma autoridade mundial dos esportes, destacou a importância dos erros cometidos pelos árbitros desatentos ou apaixonados. Os erros praticados pelos juízes das disputas esportivas servem para perenizar a lembrança das partidas, fomentar as inevitáveis e ardorosas discussões; e incentivar a rivalidade das torcidas. Sem os erros dos árbitros não haveria tantos comentários, grandes desdobramentos e renovadas paixões. O êxito universal do futebol se deve, em parte, às decisões polêmicas de seus juízes. No contexto do Estado democrático do direito o poder judiciário possui substancial relevo político e social; sem sua magna importância nenhum povo consegue preservar a amplitude de seus direitos e conservar o valor insubstituível de sua liberdade. O ministro decano do Supremo, Celso de Mello, lembrou, há algum tempo, uma sentença memorável do grande Rui Barbosa de que, o Colendo Supremo Tribunal Federal detém ?o monopólio da última palavra?. O poder constitucional do Supremo, exercido por uma corte de ministros, embora soberano não se apresenta de modo infalível, conforme um histórico discurso parlamentar de Rui, ?em todas as organizações políticas ou judiciais há sempre uma autoridade extrema para errar em último lugar.? Nas organizações humanas haverá sempre alguém com o direito de errar por último, de decidir por último, de ser detentor da angústia derradeira. Destino de um percurso solene de quem busca o desejo de acertar e alcançar, ao final, o triunfo do sentimento de justiça. A democracia será sempre o regime do restabelecimento das verdades; da luta em favor da harmonia e da paz. Esta vocação inerente às instituições também pertence ao povo, aos seus sonhos e marcantes apelos. Na ânsia de não deixar, a exemplo do canto popular, o sol da esperança fenecer.

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