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Opinião

OS AMIGOS DO REI

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Quando Don João VI deixou Lisboa e chegou com a Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, fugindo das tropas de Napoleão, precisava de um imóvel adequado para se instalar com sua real família. Essa emergente situação foi resolvida com a doação da Quinta da Boa Vista, a melhor casa da cidade, cedida pelo proprietário Elias Antônio Lopes, o principal traficante de escravos da região. Reconhecido e grato, Don João VI imediatamente o agraciou com o título de ?amigo do rei? e o visto que o liberava para adentrar aos privilégios da Corte real. Como Don João VI estava literalmente falido, precisava urgentemente providenciar recursos para abastecer às demandas da Corte Lusitana. Uma fórmula encontrada foi a venda de títulos de nobreza. O historiador Pedro Calmon relata que em 700 anos de monarquia, Portugal havia nomeado 16 marqueses, 26 condes, oito viscondes e oito barões. Mas com a transferência do Corte para o Brasil , em um curto período de tempo, o Brasil viu surgir 28 marqueses, 8 condes, 16 viscondes e 21 barões. Escreveu: ?Em Portugal é preciso 500 anos para se conseguir um título de nobreza, no Brasil basta 500 contos!? Em Poucos anos aqui surgiram mais monarcas que em toda a história portuguesa. Logo surgiu o ditado popular : ?Quem rouba pouco é ladrão, quem furta muito é barão e quem furta mais e esconde é visconde?. Mas o toma lá da cá entre o público e o privado no Brasil não se iniciou com a chegada de Don João Vi, essa famigerada cultura tem uma história do mesmo tamanho da nossa História. No início de sua colonização, como muito poucos eram os lusitanos distinguidos que se propunham à abdicar dos confortos de Lisboa para se aventurar em uma terra distante e selvagem, a Coroa Portuguesa, necessitou conceder-lhes vantagens e facilidades que extrapolavam as leis então vigentes, como deixar correr na surdina o tráfico de escravos, mesmo depois de proclamada a Lei Áurea. A promiscuidade entre o público e o privado, com prejuízos gigantescamente cruéis para a população brasileira, principalmente a mais carente, extrapolou todos os limites e alcançou níveis inimagináveis nos governos petistas, onde os ?amigos do rei? (Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, irmãos Batista et caterva) em delações premiadas abriram as caixas pretas da selvagem corrupção que destruiu o País nesse período. A Lava Jato é um ponto absolutamente fora da curva dessa cultura brasileira promiscua. Operações que fugiram ao seu padrão, como a da JBS /irmãos Batista, dificultaram a punição dos criminosos. A Lava Jato, o fim do foro privilegiado, inclusive para o Judiciário, e a prisão depois de condenação na Segunda Instância, estão entre as medidas concretas que contribuirão decisivamente para o Brasil mudar essa corrupta, perversa e entranhada cultura de mais de 500 anos.

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