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Opinião

O PRE�O DA DISCRIMINA��O

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Alagoas é tão vítima do flagelo quanto Pernambuco. As consequências dolorosas deixadas pelo excesso de chuvas nos dois estados levaram ao desespero milhares de famílias pobres, quase em sua totalidade. Sem casa, barraco para abrigá-las, sem comida nem roupa e muito menos esperança, resta-lhes somente a solidariedade de outras centenas de pessoas generosas, voluntários e doadores. Gente de bom coração que se mobiliza estendendo as mãos para amenizar o sofrimento dos irmãos atingidos outra vez pelo infortúnio reservado pelo destino. A visita pomposa e formal do presidente da República e sua não menos solene comitiva seria dispensável e desnecessária. Não precisávamos da sua presença, em nada ameniza o sofrimento. Bastava que os gastos da viagem das excelências fossem revertidos em cestas básicas, lençóis, remédios e colchões para os desabrigados. A soma do custo do passeio das autoridades já socorreria uma boa quantidade de desabrigados. Se fizessem isso hoje e sempre, viabilizando investimentos em saneamento, contenção de barreiras, habitação, saúde e educação, oportunidade de trabalho para os que estão à margem da vida, certamente que muito dessa repetida tragédia anunciada poderia ser evitada. Faz tempo que os alagoanos pagam um alto preço pela notória discriminação do centro das grandes decisões nacionais. Inclua-se a mídia que nos enxerga pelo canto do olho e mancha a nossa bandeira com a nódoa do preconceito ao dizer que temos os piores políticos entre todos. Temos muitos quase vitalícios, indesejáveis, porém é injusto generalizar. Não somos tão piores quanto os demais de qualquer região desse País desigual. Oportunistas, camaleões, usurpadores do poder, estão em todos os lugares. A política, assim como outras atividades, é feita por homens e mulheres bons e maus, honestos e corruptos, embusteiros e conscienciosos. É injusto que Alagoas pague o preço do ódio e discriminação em razão de diferenças políticas e pessoais, disputa de poder, seja lá quem for, venha de onde vier. Principalmente contra os mais carentes que já carregam um fardo excessivamente pesado na luta cotidiana pela sobrevivência. Foi assim nos governos de Lula e Dilma, período em que o Estado recebeu apenas migalhas para financiamento de conjuntos habitacionais do Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família e um cala-boca para a eterna bilionária e interminável obra do Canal do Sertão. Nada mudou, ?tudo continua como dantes no quartel de Abrantes?. Na visita-relâmpago da comitiva presidencial foi anunciada uma liberação de recursos de 12 milhões de reais para socorrer quarenta mil pessoas que perderam tudo, além dos mortos e completa destruição de municípios da grande Maceió. Em Pernambuco, complementando os recursos emergenciais, o presidente anunciou financiamento através do BNDES de 600 milhões de reais que serão aplicados em contenção de encostas, barragens e outras prioridades. Precisa dizer mais nada para caracterizar a discriminação, assim como não é demais lembrar que o legislativo federal, estadual e municipal não moveu uma palha em defesa da tragédia.

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