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Nº 5714
Opinião

A import�ncia da mulher

MILTON HÊNIO * No último dia 8 o Brasil comemorou com entusiasmo o Dia Internacional da Mulher. Se olharmos o passado e compararmos com o presente, vamos ver como foi notável o progresso que a mulher assumiu em todas as áreas nos últimos 50 anos. Livrar-

Por | Edição do dia 10/03/2002 - Matéria atualizada em 10/03/2002 às 00h00

MILTON HÊNIO * No último dia 8 o Brasil comemorou com entusiasmo o Dia Internacional da Mulher. Se olharmos o passado e compararmos com o presente, vamos ver como foi notável o progresso que a mulher assumiu em todas as áreas nos últimos 50 anos. Livrar-se do espartilho foi a primeira conquista. Só dessa forma ela pôde trabalhar na indústria livre da compressão das costelas pelas roupas tão apertadas. Depois que pôde ver o próprio umbigo, a mulher conseguiu enfim iniciar sua luta para vencer as barreiras domésticas. Ter o seu próprio dinheiro era o grande sonho a realizar e entrar no mercado de consumo. A urbanização e o progresso industrial deram à mulher novo sentido de vida, tendo porém a fiscalização dos ciumentos maridos. Daí as mulheres casadas terem a necessidade da autorização dos maridos para trabalhar fora de casa, de acordo com o Código Civil da época. E assim mesmo se fosse comprovada a necessidade de sua ajuda no sustento da família, nunca com o objetivo de realização pessoal. E a coisa foi caminhando para melhor no sentido de a mulher ter a sua liberdade mais ampliada. Em 1922, Berta Lutz funda no Rio de Janeiro a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que se espalhou por todas as cidades brasileiras logo a seguir. Um dos primeiros projetos da nova entidade foi a conquista do voto para a mulher. Isso foi conseguido em 1932. Atualmente é grande o peso do voto feminino. Os políticos que se cuidem, pois elas representam 49,52% do total de eleitores brasileiros, segundo o TSE. Divina ou diabólica, poderosa ou obscura, a mulher já merece uma história universal própria. A sua imagem, dentro da história, vem sendo marcada com páginas de grandeza, de sacrifício e de malícia. Como anjo, a sua divina espiritualidade está imortalizada na ternura daquele doce e humano olhar da Mona-Lisa. Como demônio, ela vive na beleza messiânica de Lucrécia, cujos prazeres acompanharam os festins dos Borgias. Como personificação de santidade a encontramos na figura grandiosa da Virgem Maria, o símbolo mais elevado da cristandade e da fé cristã. Como esposa e mãe tem sido no decorrer dos tempos a maior força inspiradora do espetáculo humano, seja na pintura, nas letras, na música e na poesia. Hoje a mulher tem espaço em todas as áreas. Nas Academias de Letras, na política, na indústria, na medicina, enfim, em todas as profissões em que o homem dominava sozinho. E elas desempenham o seu papel com notável maestria. Porém uma coisa é verdadeira: todas elas, após os 40 anos, têm medo de envelhecer. Que importa a idade cronológica? Uma mulher de 40 anos nos anos 40 era velha, e hoje é um “broto”. Mesmo aos 50, 60 ou 70 as mulheres de hoje não são iguais as de outrora. Cuidar da aparência é um direito de todas elas. Hoje há um batalhão de professores ensinando dança, ginástica, yoga e toda sorte de fórmulas que possam tentar parar o tempo. Na corrida contra o tempo, na procura daquele creme que pare os dias, é claro que não vão encontrar. Mas a alegria de viver os dias que vão passando, aí sim, o segredo da jovialidade é o remédio. Mulheres brancas, pretas, pobres ou ricas, que moram em palácios ou em choupanas, todas possuem uma qualidade em comum: a tentativa possível de distribuir amor entre os filhos e as pessoas que lhe contornam. As melhores preces nem sempre são rezadas de joelhos nas igrejas. Ao ritmo de um trabalho duro, milhares de mulheres calejadas rezam, dia após dia, de sol a sol, sob o calor causticante ou a chuva resistente, fazendo no recesso de seus pobres lares o diálogo com Deus por um mundo melhor. Muitas e variadas são as reações das mulheres com o surgimento das primeiras rugas, rugas essas que surgem mais depressa com o estresse e as angústias da vida. Convenhamos entretanto que cada mulher tem um pouco de todas elas. Se não dominam um império nem exercem poder sobre o seu povo, dominam o homem, exercendo poder de mulher sobre os seus atos. Se não desviam o curso da humanidade, modificam às vezes o curso da vida de muitos homens. Sejam felizes. (*) É MÉDICO

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