Opinião
AS CRIAN�AS COM C�NCER E AS ORCRIMS
Durante o calor dos debates uma jovem médica especialista em tratar crianças com câncer (oncologista pediátrica) exclamou ?A maioria dessas crianças acometidas por leucemia aguda, depois dos sintomas surgirem, se não forem diagnosticadas e tratadas rapidamente vão ao óbito em um dia ou dois no máximo, a doença é muito agressiva! Só quem sabe como é a situação somos nós que atendemos essas crianças doentes e acompanhamos o desespero de seus pais!?. Na última reunião mensal do Ministério Público Federal ocorrida na semana passada, com prestadores de serviços e gestores públicos da saúde ? realizada no MPF mensalmente para tentar enfrentar os imensos desafios desse atendimento no âmbito do SUS ? a prioridade foi o atendimento às crianças com câncer, cuja demanda tem se elevado enormemente enquanto os recursos destinados aos mesmos se reduzem. Na longa reunião, muitos detalhes foram expostos para as autoridades do MPF: o altíssimo custo desses tratamentos para cuidar do câncer infantil, cuja tabela do SUS, sem reajustes há 10 anos, cobre no máximo 5% desses custos, e a necessidade de grande parte dessas crianças quando agravam os seus quadros clínicos, precisarem imediatamente de UTI . Dos três hospitais credenciados no Estado para esse atendimento e presentes na reunião ? dois filantrópicos e um público federal ? apenas um deles tem atualmente as condições de dar assistência integral (todas as medicações disponíveis, equipe multidisciplinar, UTI especializada, plantonistas 24 horas, médicos especializados) para acolher essas infelicitadas crianças, cujas vidas apenas se iniciam e já enfrentam uma ameaça letal à continuidade das mesmas. Ocorre que esse tradicional hospital filantrópico já está superlotado de crianças com câncer, tem uma grande fila aguardando internamentos de outras crianças , e sem alternativas, sufocado, está apelando para que pelo menos durante 20 dias não lhe sejam encaminhados novos casos. Desafortunadamente, alguns poucos recursos que lhe eram repassados para minimizar os seus deficits com o SUS, foram-lhe suprimidos o ano passado. 28 mil leitos para o SUS foram fechados no Brasil no governo passado por falta de repasse de recursos. Para quem convive diariamente com essa e outras situações perversas, quando vidas humanas que poderiam ser salvas e não o são, somente por falta de dinheiro, e sabemos todos, que este dinheiro existe e é desviado para corrupção comandada por ORCRIMs do colarinho branco e para manter privilégios de corporações, é impossível manter-se alheio e impassível à essa realidade cruel, que lembra os campos de extermínio e genocídio nazistas de Hitler.