Opinião
Bioma vulner�vel
Projeto aprovado esta semana pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal cria a Política de Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, que tem por finalidade preservar o meio ambiente, erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais no território ocupado pelo bioma, com área estimada em 850 mil quilômetros quadrados e onde vivem cerca de 23,5 milhões de pessoas, que sofrem com os longos períodos de estiagem. A proposta sugere que a política para o bioma inclua ações de fomento a atividades agrícolas, pastoris e florestais sustentáveis, com a capacitação de técnicos e produtores, o estímulo ao uso racional da água e a práticas de manejo e conservação do solo. São previstas ainda ações para que ocorra a substituição de queimadas como prática de preparo da terra e o fortalecimento da agricultura familiar. Também devem ser conduzidas ações para a recuperação de áreas degradadas, instalação de áreas de conservação, proteção a espécies ameaçadas e a divulgação da Caatinga como patrimônio nacional. Um dos princípios a serem observados pela política para a caatinga será o combate à desertificação e a adaptação às mudanças climáticas. As ações devem ser também orientadas para estimular atividades agrárias, pastoris e florestais sustentáveis. Não há dúvidas de que a questão é relevante e oportuna. Maior bioma da região Nordeste ? abrange os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe, além do norte de Minas Gerais ? e único exclusivamente brasileiro, a caatinga já perdeu 80% de sua área original. Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que a caatinga é rica em biodiversidade: abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 espécies de répteis, 79 de anfíbios, 241 de peixes, 221 de abelhas e 932 espécies de plantas. Além disso, o bioma é o lar de milhões de pessoas que vivem e dependem dos seus recursos naturais. São indígenas, quilombolas, pequenos agricultores, populações que têm o seu modo de vida tradicional ameaçado. Por ser mais vulnerável a mudanças climáticas, a vegetação necessita da promoção do desenvolvimento sustentável. Daí a importância de contar com uma política nacional.