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Opinião

SURURU DA N�GA

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Pintura, música, dança, enfim, todas as formas de manifestações artísticas aí, incluindo arquitetura, registram e sempre registrarão fases da vida de uma comunidade. Temos de voltar ao passado para aprender e essa volta nos faz conhecer pormenores que já se foram e nos dão o significado do muito que esquecemos. Maceió, como quase toda cidade brasileira, é uma herança portuguesa. Aqui chegaram nossos colonizadores e trataram de tirar proveito de suas conquistas. Precisaram de mão de obra para trabalhar e tomar conta do imenso território descoberto. Tentaram os índios e esses reagiram, passando a viver à margem da sociedade de então e morando afastado do branco. O negro africano foi em verdade o mais explorado. Era o pau pra toda obra, aquele que mais sofreu em todo processo de miscigenação e o que melhor formou nossa etnia. Deu-nos um legado importante: pureza d?alma e sentimentos extraordinários! E os nossos burgos foram aparecendo e crescendo. A nossa raça foi se aperfeiçoando e os costumes se misturando. Exemplos não faltam: os verbetes da língua indígena e africana que se tornaram também do branco português estão aí no domínio popular para comprovar. Na música mais exemplos. Um deles, as letras do cancioneiro a descrever a nossa diversidade! Ainda não tinham surgido muitos dos bairros que hoje conhecemos e outros já o eram bastante. Houve uma época que a praia frequentada era somente a Praia da Avenida. Sim, a famosa avenida que surgiu do Aterro de Jaraguá e batizada após a 1ª Guerra Mundial de Avenida da Paz em alusão ao término daquela conflagração. Hoje pouco se conhece, mas a Rua Jangadeiros Alagoanos, homenagem que prestaram aos bravos alagoanos que em 1922 foram ao Rio de Janeiro de jangada para comemorar a passagem do centenário da independência do Brasil, tinha suas edificações voltadas para o interior enquanto os quintais para a Praia da Pajuçara, tal era o interesse pelo banho de mar! Nos fins de semana era costume das senhorinhas de então se divertirem nos banhos dos rios Cardoso e Silva, em Bebedouro. Tudo era bucólico e prazeroso. As nossas reivindicações eram clamadas em prosa e em verso, principalmente nos carnavais! No de 1934, um frevo, Sururu da Nêga,de Aristóbulo Cardoso e Pedro Nunes foi um grande sucesso! O Eng. Edson de Carvalho andava às voltas procurando petróleo em Riacho Doce e o cais do porto (construído no Governo Osman Loureiro) seria a redenção de Alagoas ! Ei-lo por inteiro: É da favela?! / Não! / Nega Juju / Nasceu num rancho / Na terra do sururu. / Quadris roliços / O cabelo atrapalhado / Quem ver diz / que tem feitiço / No olhar apimentado / Cavando a vida / No canal do Mundaú / Pesca cabôco / massunim / E sururu./ É da favela?! / Não! / Nega Juju / Nasceu num rancho / Na terra do sururu. / Em Bebedouro / No Farol, na Ponta Grossa / Com o sururu da nega / A folia é nossa / Não há petróleo / Não há porto / Não há nada / O bom problema / É o sururu lá da Levada É da favela?! / Não! / Nega Juju / Nasceu num rancho / Na terra do sururu. /

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