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Opinião

Descontinuidade

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Levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a partir de dados obtidos do Censo Escolar, mostra que a evasão dos brasileiros no Ensino Médio chegou a 11,2% entre 2014 e 2015. O trabalho faz parte dos Indicadores de Fluxo Escolar baseados no acompanhamento de alunos das escolas públicas e privadas no período de 2007 a 2015. Segundo o Inep, as maiores taxas de evasão estão concentradas na primeira e segunda séries do Ensino Médio, com taxas de 12,9% e 12,7%, respectivamente. O nono ano do Ensino Fundamental tem a terceira maior evasão, 7,7%, seguido pela terceira série do Ensino Médio, com 6,8%. Além disso, a descontinuidade nos estudos é maior na zona rural em todas as etapas do ensino. Não é de hoje que especialistas têm chamado a atenção para a crise no Ensino Médio brasileiro, ciclo considerado o principal gargalo da educação no País. De um lado, adolescentes pouco estimulados pelos estudos, muitas vezes cursando séries atrasadas. Do outro, um currículo escolar extenso porém desconectado da realidade, em aulas excessivamente teóricas e incapazes de suprir deficiências anteriores dos alunos. É no Ensino Médio que deságuam todos os problemas anteriores da formação. Além disso, é nessa fase da vida em que os jovens passam a ter outros interesses, além de começarem a se sentir tentados ? sobretudo se forem de baixa renda ? a largar os estudos e focar esforços em entrar no mercado de trabalho. Em fevereiro, o presidente Michel Temer sancionou a reforma do Ensino Médio. As principais mudanças incluem flexibilização do conteúdo que será ensinado aos alunos, nova distribuição do conteúdo das 13 disciplinas tradicionais ao longo dos três anos do ciclo, novo peso ao ensino técnico e incentivo à ampliação de escolas de tempo integral. A aplicação do novo modelo ainda depende da definição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O fato de a reforma ter sido baixada por Medida Provisória e não por projeto de lei mereceu muitas críticas, pois limitou o tempo de discussões entre as autoridades educacionais, as entidades de professores e as ONGs do setor educacional. De qualquer forma, espera-se que as mudanças tragam novos ares para essa fase tão crucial da educação.

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