Opinião
O AMOR NA FAM�LIA
?Matrimônio, matrimônio, isso é lá com Santo Antônio!? ? diz jocosamente a tradição popular. É o que nos recordou nesta semana a festa do santo chamado ?casamenteiro?. Mas deixando de lado o dito popular, com maior seriedade, vamos aproveitar da ocorrência litúrgica da festa do grande santo de Pádua para considerar um pouco como o amor na família é essencial e fundamental. A família nasce do amor, ela se constitui no amor e só se mantém no amor. Tudo o que há de grande, de nobre e de sublime no mundo vem do amor. Só o amor constrói. Só ele realiza. Todo bem vem do amor. Amar é dar, é doar-se. Não é receber. O amor é essencialmente gratuito. Nada pede em troca a não ser amor. O amor que exige retribuição não é amor, é investimento. É dar para receber. Alguém que se casa não se casa ?para ser feliz?, mas para fazer o outro feliz. Seu desejo é criar felicidade no cônjuge, nos filhos, na família. Fora disso, é oportunismo, é ambição ou, ao menos, é egoísmo a dois. É casamento por prazer. Ou então, é matrimônio ?por conveniência?. É o chamado casamento ?com um bom partido?. É fazer do casamento um negócio lucrativo. É tudo, menos o verdadeiro casamento de amor. O amor humano, porém, se faz com o perdão. O amor recomeça, cresce e se solidifica com o perdão e a reconciliação. Só perdoando é que o amor permanece. Quem não sabe perdoar não sabe amar. O amor é um sempre recomeçar. O amor se renova cada dia no perdão. Tudo o que não se renova, envelhece e se deteriora. Assim é o amor. Precisa ser vivido cada dia. Cada dia é um novo dia. Cada dia é um novo amor. A lei do amor conjugal é comunhão e participação, não dominação. Não é usufruir do outro ? em geral, da mulher. Não é imperar, nem explorar. Não é fazer-se servir, mas é servir ao outro para construir juntos a felicidade de ambos e da família. Concluo com o ensinamento dos bispos na Conferência de Puebla: O amor na família ?é exclusiva, irrevogável e fecunda entrega à pessoa amada, sem perder a própria identidade. Amor assim compreendido em sua rica realidade sacramental é mais do que um simples contrato, possui as características de uma sagrada aliança?. (nº 582)