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Opinião

“A HIDRA DEVASTADORA”

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Acompanhamos o desenrolar do panorama acerca de algumas lideranças políticas, no âmbito de possíveis esquemas de corrupção, obrigando as autoridades, juridicamente responsáveis, ao uso de meios eficazes e abrangentes na ?luta? contra a criminalidade que tanto nos assusta. As medidas eficazes elaboradas por políticos legisladores, estranhamente, na hora que algumas devem ser aplicadas, ?perdem sua validade?... A nova criminalidade assemelha-se à Hidra, a serpente monstruosa de várias cabeças, da mitologia grega: se uma cabeça lhe é decepada, nascem duas no mesmo local. Para exterminar referida criminalidade seria necessário empregar os mesmos recursos que Hércules utilizou para eliminar a Hidra da cidade de Lerna: enquanto Hércules decepava as cabeças da serpente, Iolau aplicava ferro em brasa nas feridas abertas. Para o Estado de direito, o perigo da criminalidade dos desmandos públicos não reside no ato criminoso como tal, visto que, na sua interação, vão gradualmente desaparecendo a independência de nossa Justiça, a credibilidade da política e a confiança nos valores morais. Nenhuma lei, nenhuma polícia, nenhuma magistratura, por mais eficiente e competente que seja, poderá jamais substituir a livre determinação dos cidadãos para dobrar a Hidra, se não forem apoiados por populações conscientes dos perigos que as ameaçam. No crime dos Senhores públicos o certo é que, com a difamação da lei, a decrepitude do Estado e o triunfo da racionalidade mercantil sobre a livre determinação da vontade coletiva, uma parcela da civilização vai de ?água abaixo?, desmorona. Se não abrirmos os olhos, é através da corrupção que os Senhores do crime irão subverter e tentar dominar nossas sociedades democráticas e, no final, teremos um Estado infiltrado com a corrupção aceita como um fenômeno permanente e normal ou seja, institucionalizada. Uma sábia convicção nos foi outorgada pela Revolução Francesa: a livre decisão da vontade coletiva é capaz de resolver todas as questões que se apresentam aos homens. Um único herói: o povo. Um único sujeito da História: o homem que se tornou proprietário de sua razão. Uma única legitimidade: a que decorre do contrato social. As detenções mais espetaculares, os vereditos judiciários mais severos e as leis mais bem arrazoadas, de nada valerão sem a renúncia à busca do lucro a qualquer preço. Se negarmos ao homem qualquer possibilidade de eliminar a Hidra, estaremos caminhando para uma única rutura civilizatória, aproximando-nos a passos de gigante, da fratura do nosso Brasil, um alerta que já se tornou ensurdecedor pelo martelar constante dos valiosos segmentos da comunicação.

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