Opinião
A GRA�A NO PLENO DA DESGRA�A
A mesma graça que surgiu como um favorecimento evoluiu para o caminho da comédia. Gracejar, portanto, não é conceder um favor, mas troçar de alguém. Assim, nem sempre ?achar graça? é encontrar alguém favorecido pelo Espírito Santo e sim rir de uma boa piada. Por outro lado, nem sempre existe graça quando o riso vem fora de hora. Assim, o riso entre outras reações humanas, não é adequado em todo momento e lugar. Mas, como: ?O que dá pra rir dá pra chorar/Questão só de peso e medida/Problema de hora e lugar/Mas tudo são coisas da vida/O que dá pra rir da pra chorar?. Billy Blanco parece ter feito esta música de encomenda, para ser lembrada 49 anos depois, no monumental julgamento da chapa Dilma Temer. O riso apoteótico que minou todas as mídias fez chorar o povo brasileiro, afinal, ?O que dá pra rir dá pra chorar?. Não era uma comédia stand-up, talvez por isso, ninguém aplaudiu e nem achou graça. Afinal, a graça como favorecimento não nos pertence. Para nós, resta-nos a graça como troça. Não dá para rir no sepultamento da Constituição Brasileira, isto é uma desgraça. Não é ?só questão de peso e medida?, mas de dois pesos e duas medidas. Nisto havia graça na ação, embora a nação esperasse ação e não graça. Mas, com o resultado esperado e anunciado pelos arautos midiáticos, tudo parecia uma farsa. Mas quem ri, geralmente tem seus motivos, o riso é uma expressão de alegria, de fausto e galhardia. Se ?eu não tenho nada?, como posso rir? ?Quero ver Irene dar sua risada?( hein, Caetano!) se estiver faminta e de bolso vazio. Por isso o riso, muitas vezes, é um deboche sem palavras. O povo brasileiro merece ser mangado? Merece sim, porque se sujeita aos caprichos dos políticos. Merece, porque se vende facilmente e entrega o que tem de mais precioso nas mãos: o seu voto. Concede poder ao corruptor que lhe compra o voto. Esquece tudo num simples aperto de mão e um belo sorriso de graça. A graça no pleno do TSE foi bem oportuna. O riso saiu porque estava quase explodindo. Havia graça na insensatez como a de uma trupe da Comedia dell?arte. Por mais que a verdade fosse visível, havia a opção de interpretar os cegos e apenas três, entre sete, não quiseram o papel. Razão do riso ser tão adequado ao momento, não o riso apenas, o escárnio, puro desdém e menosprezo total pela justiça, pela pátria e pelo povo brasileiro. Se a razão do julgamento já nos envergonhava, imagine, leitor, assistir os interlúdios coloquiais trocistas e as insinuações impertinentes feitas ao Ministro Herman Benjamin. Não é possível pensar em algo pior para ferir a dignidade do povo brasileiro.