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Opinião

QUAL O MAL MENOR?

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Na semana passada o professor e historiador Douglas Apratto Tenório deu uma palestra no Instituto Histórico de Alagoas, em uma sessão presidida pelo professor Jayme de Altavila, como parte dos 200 anos de nossa emancipação. Discorreu sobre a ?Ocupação holandesa em Alagoas?. Mesmo abordando eventos que se passaram há 400 anos, a nossa dramática realidade atual irrompeu vigorosamente. Uma das polêmicas: se os holandeses tivessem permanecido na região e a colonizado, poderíamos viver hoje numa realidade menos cruel, menos corrupta e mais ética? Nada de mais concreto se auferiu, pois se tratava de conjecturar sobre o território imponderável do ?se?. O professor Douglas dissertou sobre o filósofo Montaigne (1533-1592) e a sua visão avançadamente crítica para aquela época. Montaigne, ao conviver com os selvícolas, constatou o espanto com o qual eles observavam os costumes civilizados: as reverências, a obediência e a adoração dedicadas a uma criança, o Delfim, e o abominável contraste entre as muitas pessoas miseráveis passando fome nas ruas, enquanto, em mansões, alguns poucos desfrutavam a abundância e o desperdício. Montaigne, em seus ensaios, fez a crítica absoluta ao dogmatismo, ao fanatismo e respaldou o uso da razão. Cético, fundamentava-se no relativismo, aceitava os antagonismos, a existência de igualdade de valor entre teses contraditórias. A sociedade brasileira está estupefata, dividida e perdida diante de tantos escândalos e roubalheiras do erário. A vulcânica saga de combate à corrupção da PGR sobre o atual governo não encontra similar nos governos passados. O governo Temer não é, nem poderia ser, um governo impoluto e ético; é ex-parceiro do governo anterior e dos que sempre utilizaram e se locupletaram de semelhantes práticas. Todavia, reconheça-se, promovia uma mínima recuperação da caótica economia. A degradação nacional chegou a tal ponto que as opções de saídas são todas temerárias: Temer ser mantido até as eleições de 2018,com um governo cada vez mais enfraquecido e desacreditado; eleições indiretas para se pinçar um exemplar oriundo desse pântano; ou uma PEC que proporcione eleições diretas e exponha o País ao mesmo grupo e às mesmas condições que nos jogaram nesse imenso lamaçal e nessa inédita e imensa crise econômica e social . Nesse cenário amoral, resta refletir: em qual das opções a economia sofrerá menos? Qual delas não elevará ainda mais o elevadíssimo desemprego? A decisão final, provavelmente, caberá ao Congresso Nacional. E haja rivotril! Controvérsias serão aceitas, como preconizava Montaigne.

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