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Instabilidade e incertezas

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No final do ano passado, em pronunciamento à imprensa, o presidente da República fez um balanço do governo e afirmou que 2017 seria o ano em que o Brasil venceria a crise econômica e retomaria o crescimento. O primeiro semestre do ano já se foi, e a prometida retomada do crescimento ficou apenas na retórica empolada do chefe do Executivo. Duas notícias divulgadas ontem ilustram a situação. O Banco Central informou que as contas do setor público consolidado, que englobam o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais, registraram um deficit primário de R$ 30,73 bilhões em maio. Este foi o pior resultado para meses de maio desde o início da série histórica do Banco Central, em dezembro de 2001. A outra notícia: de acordo com o IBGE, o desemprego ficou em 13,3% no trimestre encerrado em maio. No período, o Brasil tinha 13,8 milhões de desempregados. Trata-se de uma redução em relação à taxa do trimestre encerrado em abril, que foi de 13,6%, mas, na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o índice foi de 11,2%, o quadro foi de elevação (2,1 pontos percentuais). É verdade que a conjuntura recessiva e de desemprego não começou no governo Temer. A economia mudou de rota em 2011 e houve derrapadas da equipe econômica de Dilma. Entretanto, a situação parece ter chegado ao limite. As dificuldades econômicas têm se transformado em problemas sociais. Segundo cálculos do Banco Mundial, o desemprego criará em 2017 entre 2,5 milhões e 3,5 milhões de novos pobres no Brasil. Como mostra reportagem deste fim de semana da Gazeta, em Alagoas a recessão já levou quase 600 mil pessoas para abaixo da linha da pobreza. Tal qual o início do segundo mandato de Dilma, a marca do governo Temer tem sido a instabilidade. O escândalo das gravações do empresário Joesley Batista envolvendo o presidente provocou um grande abalo no cenário político, com reflexos imediatos na economia. Há dúvidas sobre como o governo vai conseguir tocar o barco até janeiro de 2019, quando passará o bastão. Em meio a esse cenário, o brasileiro permanece desesperançoso e descrente na política e nas instituições. Mesmo assim, a história já mostrou que o País é capaz de se reerguer.

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