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Opinião

TR�S ARTISTAS DA CAPELA

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Estive em Capela, com o meu Luís e a sua Gaby, visitando o ateliê do escultor João das Alagoas, um dos mais importantes artistas populares da atualidade. Além do imenso talento de que é possuidor, mestre João é daquelas figuras carismáticas, de conversa fácil e prosa agradável, conservando a simplicidade mesmo depois do sucesso que merecidamente alcançou, levando ? e elevando ? o nome de Alagoas na Europa, na América e no sul e sudeste do nosso imenso Brasil. Suas obras fazem parte do acervo de grandes museus e de colecionadores particulares pelo mundo afora, e onde quer que se vejam os grandes bois de reisado de barro, em cujo corpo verdadeiras histórias são contadas por meio das figuras cuidadosamente esculpidas, logo se diz sem duvidar: isso é coisa do João das Alagoas! Encontramo-nos, também, com as exímias escultoras Sil e Nena, discípulas de João que souberam aprimorar os ensinamentos recebidos e descobrir o seu próprio estilo, firmando-se, como ele, no panorama da arte nacional. Sil, com o seu sorriso espontâneo e a sua simpatia leve, trabalhava numa daquelas árvores frondosas que só ela sabe fazer, sob cuja copa se agasalham os tipos populares mais comuns do nosso interior. E é tamanha a delicadeza com que ela esculpe cada uma das peças, tamanho o cuidado com que ela dá forma a rostos, vestes e apetrechos, que o nosso olhar não se desgruda dos seus dedos ágeis, de onde brotam verdadeiras joias. Nena, mais discreta, quase tímida, em nada destoa da riqueza artística dos seus dois colegas. O barro, nas suas mãos, vira uma coisa viva, e como que por encanto vão surgindo diante de nós velhos, meninos, bichos e casas, todos com uma riqueza de detalhes que impressiona e encanta. Não pude resistir, e adquiri para a minha modesta coleção uma mulher sambuda, com uma trouxa na cabeça e uma expressão facial que retrata fielmente as agruras do povo nordestino. Saí do ateliê ainda mais empolgado com a arte popular alagoana, que conta a história do nosso povo e da nossa região, preserva as nossas tradições e conserva a nossa identidade cultural. Octávio Paz, escritor mexicano e prêmio Nobel de literatura, afirmou com acerto: ?Feito com as mãos, o objeto artesanal conserva, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem o fez?. E logo me vieram à lembrança os versos de Ronaldo Cunha Lima, saudoso poeta e político paraibano: ?Cada artista traz, à forma,/ seu estilo, sua norma,/ o seu feitio e expressão./ Recupera, faz reforma,/ mas mantém a plataforma/ do que tem no coração?.

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