loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

BRAVO NORDESTINO

Ouvir
Compartilhar

A vocação do ilustre paraibano José Américo de Almeida logo se revelou. Ainda criança passou a amar os livros e adquiriu a paixão da leitura. Solenemente confessou, tudo começou por uma ingênua profecia. Menino de engenho, no interior da Paraíba, numa tarde de domingo, seu irmão mais velho o levou a cavalo pelas casas dos moradores espalhadas na fazenda. Em cada morada, mandava que lhe perguntassem o que seria no futuro. Ensinado, tinha uma resposta, sem saber a dimensão da afirmativa: homem de letras. Mostrava a vocação de uma personalidade forte, inquieta e altiva, educada ao longo de sua existência e presente em vários momentos da vida política nacional. Esmerou-se em sua formação literária. Depois, chegou a confessar: tornei-me político, mas a literatura fazia-me falta. Sua estreia como escritor ?A Paraíba e seus Problemas? reuniu ensaios sobre o plano de obras contra as secas. Mais tarde, quando ministro de Estado da era Vargas, transformou seus relatórios em livros. Ao deixar a pasta, publicou duas novelas ?Coiteiros? e ?Boqueirão ?. Afirmou, então: a política, como diria Napoleão, foi o destino; as letras foram a vocação. Suas orações na tribuna da política e no Senado da República tornaram-se livros ?A Palavra e o Tempo? e ?Discursos do seu Tempo.? O romance ?Bagaceira?, início da geração regionalista do Nordeste, o consagrou como festejado escritor. Ingressou na Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 38, em outubro de 1966, saudado por Alceu de Amoroso Lima. Foi governador de seu estado natal, fundou a Universidade Federal da Paraíba, sendo seu primeiro reitor. Deixou um acervo frases. As mais lembradas: ?Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto; é não ter o que comer na terra de Canaã?. ?Vamos fazer a política dos pobres, a dos ricos já está feita?. ? Ver bem não é ver tudo: é ver o que os outros não veem?. ?A saudade é uma hora indeterminada da separação?. A exaltada na campanha de governador em 1950: ?Ninguém se perde no caminho da volta; voltar é uma forma de renascer?.

Relacionadas