Opinião
O TEMPO PARECE VOAR
Recordo agradáveis dias de lazer, vividos na cidade de Mar Vermelho, município do noroeste alagoano, apelidada de ?Suíça? por seu clima de serra e inúmeras fontes de água mineral que possui. Ali o tempo parecia parar. Sentado à sombra de frondoso Gravatá, protegido por suas folhas avermelhadas, deleitava-me sentido a brisa fria, gerada por uma temperatura abaixo dos 15 graus centigrados, soprar em meu rosto. As responsabilidades pareciam sumir, enquanto os sonhos dominavam minha mente, Encantava-me com as borboletas, voando a meu redor, sem escutar o barulho dos automóveis ou o desespero das multidões. Ouvindo os pássaros, sentia-me livre para flutuar, sem daquela paz querer largar. Era o mês de Santana, o sétimo do ano, tempo de férias de meus netos, Arthur e Bia, cujos ancestrais paternos têm ali suas raízes. Se por um lado entendia ser aquele um período de descanso para meu coração, tinha plena consciência de que, ao retomar à normalidade da vida, as horas voltariam a passar céleres, como se estivesse descendo uma ladeira, sentado em um carro sem freios. O mês de julho chegou novamente e, com ele, passa a borbulhar em minha mente o ditado popular; ?ano meiou, natal chegou?. Parece ter sido ontem o brilho da primeira manhã de 2017, e logo recaio na habitual rotina de meus dias. Neste primeiro semestre, encantei-me com as atividades da Comissão de Organização das Celebrações dos 200 Anos de Emancipação Política de Alagoas, a qual integro, não somente rebuscando fatos marcantes da História de nosso Estado, como emprestando vida a personagens importantes, nas mais diversas áreas de atuação, pois eles, somente nos oferecem orgulho. Preocupei-me, em demasia, com o abandono devotado às entidades culturais de Alagoas, dentre elas a mais antiga, a Academia Alagoana de Letras, pelos variados segmentos da sociedade civil organizada, quer proveniente dos governantes que praticamente negligenciam suas existências ou da iniciativa privada, colocando na crise econômica, ora vivida, a culpa por não lhes oferecer o mínimo apoio... O mais envergonhante, contudo, neste período, foi a derrota, acachapante, imposta ao povo brasileiro pelo Superior Tribunal Eleitoral, quando, por quatro votos contra três, seus membros absolveram todos os pecados, veniais, capitais ou mortais, praticados pelo Presidente da República e sua antiga companheira de chapa, nas últimas eleições da qual participaram. Os sufrágios, vindos do TSE, não somente aviltam a inteligência da grande maioria, como deixam claro e explicito ser, nos dias atuais, praticamente a totalidade de nossos dirigentes possuidora, cada um a pairar sobre a própria cabeça, de uma individual espada de Dâmocles, não somente os aterrorizando, como deixando explicita toda a insegurança quanto a seu poder lhes vir a ser repentinamente tomado. O segundo semestre está aí. Apesar das horas voarem, haveremos de ter forças para sobreviver e, quem sabe, convivermos com dias melhores para todos os crédulos, na certeza de ser o Brasil não mais que um feudo de poucos.