Opinião
INTOLER�NCIA EM BAIXA
O Instituto Datafolha divulgou, no início da semana, pesquisa que provocou reação distintas em vários setores da sociedade brasileira. No levantamento, constatou-se que ideias tidas como de esquerda voltaram a ter o apoio da população, com um registro de crescimento; em contrapartida, houve um recuo do pensamento de direita. Isso ocorre depois do impeachment da presidente Dilma Roussef e da mobilização pela volta dos militares ao poder. Muitos achavam que democracia, proteção aos mais pobres, acolhimento de migrantes e rejeição à pena de morte eram ideias ultrapassadas, mas não foi o que a pesquisa mostrou, em comparação com dados de 2014. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, ?subiu, por exemplo, de 58% para 77% a parcela que acredita que a pobreza está relacionada à falta de oportunidades iguais para todos. Já a que crê que a pobreza é fruto da preguiça para trabalhar caiu de 37% para 21%. No mesmo campo de ideias, cresceram a tolerância à homossexualidade (64% para 74%), a aceitação de migrantes pobres (63% para 70%) e a rejeição à pena de morte (52% para 55%)?. Por outro lado ? fruto do terror que vivemos com a violência ? subiu de 35% para 43% o direito do cidadão possuir uma arma legalizada, mas, surpresa, 55% são contrários. A direita chiou. O fato é que passado o período de ataques violentos aos que pregavam ideias ?socialistas? ? um cão foi chutado na rua porque a dona tinha posto uma camisa vermelha no animal ?, a razão parece voltar a imperar. É importante ressaltar que o pensamento humanitário não é propriedade da esquerda, que ninguém deve ser hostilizado por defender os trabalhadores ou a reforma agrária, que a democracia permite a convivência de opiniões diversas. O Brasil sempre foi um país tolerante, mas o que se viu nos últimos anos foi o florescimento do ódio e da perseguição. A esquerda errou e foi demonizada, mas a direita que tomou o poder não disse a que veio, e a população decide que determinados princípios não devem ser abandonados. A pesquisa sinaliza, também, o que pode acontecer nas próximas eleições. Algumas bandeiras que tinham sido esquecidas, voltam a ser desfraldadas e alguns discursos de intolerância devem ser abrandados. A democracia, então, deve sair fortalecida no processo. É o que todos nós queremos: uma Nação unida em torno do desenvolvimento, não uma terra envolta numa guerra fratricida.