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Opinião

AS MUITAS FACES DA CRISE

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A Polícia Federal alertou que não tem verba para emitir passaportes; logo depois, a Polícia Rodoviária Federal afirmou não ter recursos para realizar as suas principais tarefas. Paralelamente, os muito bem remunerados auditores ficais federais entraram em greve nas fronteiras, e as contas públicas mostram que as despesas com a Previdência se elevaram aceleradamente em 7,2% (R$ 14,5 bilhões, e majoritariamente com servidores públicos), e as despesas com salários e aposentadorias de servidores públicos, mais 11,8% (R$ 12 bilhões). Detalhe: os serviços prestados pelas duas respeitadas corporações estão prejudicados para o usuário, mas, felizmente,e independentemente da crise, os seus salários mantêm-se integralmente intactos. Ad latere, a crise política agrava-se com a nomeação de inesperado relator para a CCJ. Ao mesmo tempo que figuras próximas ao presidente passam para a Papuda ou para o uso de tornozeleiras eletrônicas, única indústria a crescer no País, desde que as demais, como todo o setor produtivo, e até as donas de casa ? que não podem mais contratar uma doméstica ?, estão sufocados pela cruel carga de impostos, e que segundo Meireles ?se as reformas não passarem, podem aumentar!? O insuspeito Gramsci afirmava ?todo Estado é uma ditadura?. No Brasil isso é verdade somente para essa maioria que banca os privilégios. Tal cenário, associado à falta de investimentos e à corrupção da máquina pública faz com que as receitas do governo caiam desde o início da recessão (março de 2014), reduzindo ainda mais o aporte de despesas ditas não discricionárias, e agravando drasticamente a situação de setores como saúde, educação e segurança pública. Mas isso não inibiu as corporações de pressionarem por aumentos, concedidos exacerbadamente nos governos petistas e mesmo no início do governo Temer, em pleno auge da recessão. Para se manter no poder, Temer libera emendas a granel, e negocia o inegociável ? o imposto sindical obrigatório, que abastece os pelegos que obstruem as ruas e impedem os trabalhadores de chegar aos empregos que ainda lhes restam. A oposição, adepta desse Estado gigantesco, vampirescamente gordo e mantido com o sacrifício de trabalhadores e empresas, aposta no ?quanto pior, melhor?. As reformas Trabalhista e da Previdência são fundamentais, mas insuficientes, se não chegar ao Planalto alguém que esteja fora da Lava jato, combata a corrupção e enfrente os privilégios das corporações, que por mais cruel que seja a crise, estão eternamente famintas, impiedosas e insensíveis ao sofrimento de 14 milhões de patrícios desempregados.

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