Opinião
GROTAS E ENCOSTAS
Foi durante a década de 1970 que as grotas e as encostas de Maceió começaram a ser ocupadas. No intervalo de 10 anos (70/80) a população da cidade cresceu quase 50%. A cidade hoje com mais de um milhão de habitantes viu quadruplicar sua população em 47 anos (1970/2017). A mecanização agrícola provocou o êxodo da população residente na zona rural; seus habitantes fugiram à procura de empregos com boa remuneração, por causa das secas cíclicas, por uma melhor qualidade educativa ou por melhores serviços em saúde e transporte. Maceió, assim como a maioria das capitais do Brasil, não estava preparada para receber os migrantes. Dessa forma, as famílias foram se alojando o mais perto possível dos locais dos empregos, das escolas, das unidades de saúde. Daí surgiram as grandes favelas com suas sub-habitações: Reginaldo, Pau D?Arco, Bolão, Cigano e muitas outras. Como essas áreas não se prestavam para ser loteadas, seus verdadeiros proprietários não se importaram da ocupação progressiva. O poder público também não impediu. Foram então surgindo, primitivamente, os casebres de taipa, cobertos de palha. Quando foi melhorando o poder aquisitivo dos migrantes as casas foram remodeladas e ampliadas. A ampliação, o adensamento de casas nas favelas exigiu grandes movimentações de terras nas barreiras. No fundo das grotas, os córregos intermitentes foram aterrados. Num segundo momento, quando os programas habitacionais foram instituídos, surgiram os grandes conjuntos habitacionais como José Tenório e Benedito Bentes. Muitos loteamentos também foram implantados. Nesses empreendimentos as áreas de preservação foram ocupadas pelos agora denominados ?sem teto?. Surgiram então as grotas São Paulo, Alegria, do Aterro e outras. Essas ocupações e a execução de obras incompletas de drenagem nos grandes conjuntos habitacionais e loteamentos tornaram as grotas e as encostas vulneráveis de inundações e deslizamentos. Os desastres passaram a ser periódicos, principalmente nas épocas chuvosas que ceifam vidas e causam incalculáveis prejuízos para as administrações públicas. Resta agora aos poderes públicos reprimir novas ocupações, elaborar bons projetos de prevenção e executar esses projetos com bastante rigor técnico. As moradias irregulares nas grotas e encostas de Maceió são irreversíveis, vieram para ficar. Vamos, pois, dar a elas uma infraestrutura mínima de habitabilidade.