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Opinião

HORA DA DECIS�O

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Um ano atrás a Suíça realizou um plebiscito inusitado. Foi perguntado aos cidadãos se eles gostariam de ganhar um salário de 9 mil reais do governo sem ter que fazer nada, apenas por existir. Por incrível que pareça, 78% dos suíços rejeitaram a proposta. Já nas eleições francesas, enquanto os velhos políticos saíam pelas tangentes, se esquivando dos temas polêmicos, Emmanuel Macron escancarou a verdade e defendeu aumentar a idade mínima para a aposentadoria, demitir 120 mil funcionários públicos e a volta do serviço militar obrigatório. Ganhou de lavada. Não há nada de errado com o juízo dos europeus, muito pelo contrário. Eles apenas evoluíram politicamente o suficiente para saberem que não há como fazer um omelete sem quebrar os ovos. O Brasil vem de dois períodos recentes de crescimento. Um inicial com FHC e um mais acelerado com Lula. Comum a ambos, porém, foi o fato de terem sido não traumáticos. Após o ordenamento econômico do real e a explosão do crédito, mesmo um novo ciclo de alta das commodities não traria o crescimento ?fácil? do passado. De agora em diante, se o País quiser crescer, terá que fazer mudanças estruturais e aumentar sua produtividade e competitividade. Lula distribuiu o mel sem precisar mexer nos vespeiros. Diminuiu a desigualdade ao mesmo tempo que afagava os bilionários com o BNDES e os Refis, fez vista grossa para os supersalários do Judiciário e para o regime tributário perverso. Expandiram-se os concursos e os aumentos do funcionalismo. Todos foram beneficiados com alguma MP que diminuía obrigações, reservava mercado ou aumentava direitos. Dilma dobrou a aposta, extrapolando o limite e empurrando a economia ladeira abaixo. Restou um gigantesco deficit para cobrir. Se Lula concorrer em 2018, teremos dois projetos de País bem definidos se enfrentado na TV e nas urnas. Podemos cortar na carne e fazer o governo caber dentro do PIB ou injetar mais dinheiro de dívida na esperança de que o crescimento compense os gastos e resolva tudo. Com Lula inelegível, é grande o risco de a direita chegar ao Planalto, mas com o ex-presidente liderando as pesquisas de intenção de voto. O que isso sinalizaria para os nossos congressistas? Qual a chance de votarem reformas impopulares nesse cenário? Pode ser o nascimento de um fantasma que assombrará o Brasil por décadas.

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