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Opinião

O OLHAR DA POSTERIDADE

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Os seres humanos possuem uma natural preocupação com os reflexos de suas ações e de seus trabalhos perante a realidade do futuro. Produzimos, construímos e amamos voltados, em parte, para as indagações do julgamento da posteridade; num testemunho acerca da trajetória de nossa presença e apaixonada atuação. Também se revela certo, que a maioria das pessoas zela pelo exemplo que proporciona aos filhos, à família, aos contemporâneos e à sociedade. Daí, a importância da crítica construtiva e das palavras que incentivam o desempenho das atividades humanas, nos diversos campos. O consagrado escritor maranhense e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Josué Montello, em seus famosos ?Diários?, abordou o tema das expectativas dos escritores com a repercussão de seus livros no futuro. Lembrou, a afirmativa de um romancista de limitado público de leitores: ?Escrevo para a posteridade?. Adiantou então Montello, um juízo de valor, no sentido de advertir que o púbico de amanhã, talvez tenha outra ordem de interesses e preferências. Sendo difícil uma exata comparação ou nível de superioridade. Raros seriam os escritores que somente no futuro encontram interesses, reconhecimentos e aplausos. Cada geração tem um despertar próprio, envolvido de angústias e aspirações, cabendo ao escritor ser intérprete desses valores e circunstâncias, com a consciência que escreve para seu tempo. A obra do renomado escritor parisiense Julien Benda não mereceu, nenhum comentário, após a sua morte. Quando ainda em vida, deixou registrado que dispensaria qualquer artigo necrológico. Pois, durante a sua existência se tornou objeto de ódio de quase todos os críticos. Sua atitude fora excessiva. A controvérsia, a polêmica, fazem parte da vida de todo escritor. Como assinala Montello, representa um sinal de que suscitou o debate, a melhor forma de permanecer presente. O escritor morto não mais incomoda a ninguém. Como dizem os mestres ? ?afogam-no em pétalas de rosa, tanto na imprensa quanto no caixão?.

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