Opinião
O INSACI�VEL GIGANTE
Envolvido no sufoco da persistente recessão e na queda acentuada da arrecadação, o governo enviou para o Congresso, em janeiro, uma proposta em que pretendia arrecadar R$ 13,3 bilhões de dívidas atrasadas de pessoas físicas e jurídicas junto à União. A coisa arrastou-se nos bastidores da Casa e agora ressurgiu alterada pelos parlamentares, derrubando a arrecadação para R$ 420 milhões.Caridosos, os parlamentares querem perdoar 73% da dívida a ser negociada. Sob severa recessão, perdoar dívidas de pessoas físicas e empresas, poderia estimular a raquítica economia. Porém, ocorre que os deputados e senadores que irão votar o perdão de dívidas através do Refis ? programa de parcelamento de débitos tributários e previdenciários com a União ? compõem parte significativa dessa turma que não gosta de pagar contas, tanto como pessoa física, como com participação na diretoria de empresas, somando entre eles o valor R$ 532 milhões em dívidas a serem caridosamente perdoadas. Essa ?canastrice? veio à lume atrelada a um aumento de impostos destinados ao consumo de gasolina e derivados, o que fatalmente terá repercussões na inflação, a qual depois de anos devastando a economia nacional, voltava a patamares civilizados. A latere, para complicar ainda mais, os gastos públicos não param de crescer: são reajustes salariais de servidores públicos já privilegiados, liberações de emendas parlamentares à granel e distribuição de benesses para apaziguar a insaciável base aliada. Paralelamente, os problemas sociais agravam-se ?draconianamente?, como na segurança pública no Rio, na saúde pública e na educação. Para um observador isento, o que ocorre no Rio de Janeiro é apenas uma prévia do que ocorrerá em todo o Brasil a curto prazo, caso não se realizem, corajosamente, as reformas indispensáveis, principalmente a redução drástica do tamanho do Estado, gigante gerador da maioria de nossos males. O filósofo inglês John N. Gray não prega um Estado mínimo, mas ?do tamanho adequado às necessidades do contexto?. Os opositores desse controle do crescente tamanho e voracidade do Estado e que colocaram o País nessa situação calamitosa, onde ele jamais deixará de famintamente querer mais e mais impostos, defendem essa posição embasados somente por anacrônicas e obsoletas ideologias, ou por interesses pessoais indefensáveis,assim como a soma de ambos. A única boa noticia é que a Lava Jato nos tirou dos últimos lugares no combate à corrupção mundial para ficar entre os primeiros. Esperemos que o eleitor perceba o que ocorre e possamos ter em 2018 um candidato digno de debater abertamente essa nossa cruel realidade.