Opinião
Terceira Idade
HUMBERTO MARTINS q Foi lançada recentemente, em Maceió, pela arquidiocese da capital, a Campanha da Fraternidade 2003, instituída pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Este ano, a iniciativa é voltada para o idoso, com o tema ?Vida, Dignidade e Esperança ? Fraternidade e Pessoas Idosas?. Durante o lançamento, o arcebispo de Maceió, Dom José Carlos Melo, anunciou uma mobilização com o objetivo de arrecadar recursos para o Fundo Arquidiocesano de Solidariedade, acrescentando in verbis: ?Seria pretensão imaginar que solucionaríamos todos os problemas dos idosos, mas, dentro das nossas limitações, podemos ajudar?. Em Alagoas, as contribuições para a Campanha da Fraternidade poderão ser feitas por meio de depósito na conta do Banco do Brasil. E o dia 13 de abril, Domingo de Ramos, será o Dia Nacional de Coleta da Solidariedade. O lançamento da Campanha da Fraternidade 2003 ressalta aspectos positivos da vida brasileira. Enquanto em numerosos países, a religião é motivado de luta fratricida, no Brasil, cada credo faz suas pregações em nome da solidariedade humana. Não prosperam entre nós o radicalismo religioso ensaiado por alguns desviados. Anos a fio, a CNBB vincula a Campanha da Fraternidade a metas prioritárias da comunidade: idosos, menores, camponeses, mulheres, chamando a atenção da opinião pública para a importância de serem reduzidos os contrastes que ameaçam, de maneira grave, a paz e a estabilidade coletiva. O tema deste ano ? ?Vida, Dignidade e Esperança ?Fraternidade e Pessoas Idosas?? não poderia ser melhor escolhido. Milhões de velhos, no Brasil, sobrevivem com aposentadorias insignificantes, que são insuficientes até para comprar a comida. Não têm habitações apropriadas, não se vestem devidamente, não têm dinheiro para o transporte, para os remédios, não têm lazer. São intocáveis os casos de famílias que, tangidas pelo pauperismo, abandonam seus idosos em casas de caridade e nunca mais deles procuram notícias. Uma das maneiras de se avaliar os sentimentos de um país é conhecer como a comunidade trata os seus velhos. Aqueles que, após longos anos de vida e geralmente de trabalho e sacrifícios, passam a precisar do apoio e da solidariedade dos demais. O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é momento oportuno para perguntarmos a nós mesmos; será que estamos sendo corretos com os nossos idosos? Com aqueles da nossa família, da nossa rua, do nosso País? Registraram-se nos últimos anos pequenos progressos na assistência aos idosos brasileiros, que asseguram inclusive uma sobrevida mais longa. Isso não é entretanto suficiente. Principalmente com relação aos de famílias mais pobres - e eles são maioria ? é preciso aperfeiçoar os instrumentos de solidariedade e apoio. Essa não é uma tarefa apenas do poder público. É uma missão da sociedade como um todo. É por oportuno ressaltar que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, essencialmente as pessoas de terceira idade, que doaram suas vidas para garantir o desenvolvimento nacional. É missão nossa promover o bem de todos, sem preconceitos de raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, assim, sem sombra de dúvidas, a velhice merece respeito. (q) É DESEMBARGADOR DO TJ/ALAGOAS