Opinião
Futuro em risco
Estudo divulgado ontem pela Fundação Abrinq mostra que 40% de crianças e adolescentes com até 14 anos de idade vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil, o que representa 17,3 milhões de jovens. Destes, 5,8 milhões, ou 13,5%, vivem em situação de extrema pobreza, ou seja, têm renda per capita de até um quarto do salário mínimo. Os dados se referem a 2015, por isso a realidade atual pode ser ainda pior, já que o impacto da política de cortes de investimentos adotada pelo governo Temer ainda não foi medida. Os piores índices estão nas regiões Norte e Nordeste, onde 54% e 60% das crianças e adolescentes, respectivamente, vivem em situação de pobreza. A situação de Alagoas é a mais crítica, já que o Estado tem o maior índice de crianças e adolescentes de até 14 anos vivendo em situação de pobreza: são 66%, o que representa 530.429 em números absolutos. O estudo considera como pobres aqueles cujo rendimento mensal domiciliar per capita é de até meio salário mínimo (valor equivalente a R$ 477,00, considerando o atual salário mínimo de R$ 954). Já os extremamente pobres teriam rendimento mensal domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo (ou R$ 238,00). Para os pesquisadores da ONG, há uma relação direta entre a pobreza e a violência. Entre esses 10,6 mil crianças e adolescentes assassinados em 2016, mais de 70%, são jovens pobres, e que vivem em periferia. São, portanto, adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social. Com indicadores sociais tão preocupantes, o Brasil têm dificuldade de cumprir as metas associadas à infância e adolescência dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) ? um conjunto de ações definidas pelas Nações Unidas, do qual o Brasil é signatário juntamente com outros 192 países. Mais grave ainda: o País está prestes a voltar ao Mapa da Fome, depois de ter superado essa fase na primeira década deste século, graças ao crescimento econômico e às políticas sociais. É preciso que o poder público concentre seus esforços no combate à pobreza. Para isso, é necessário investir em educação, saúde, moradia e saneamento. A vulnerabilidade social de crianças e adolescentes coloca em sério risco o futuro da Nação.