Opinião
JOVENS POBRES
Um relatório divulgado nesta semana pela Fundação Abrinq (Associação dos Fabricantes de Brinquedos) mostra que entre os brasileiros de zero a 14 anos, 40,2% se encontram em situação de pobreza. As regiões Norte e Nordeste concentram os piores números. O estudo leva em conta a renda de meio salário mínimo (valor de 2015, quando os dados foram coletados) per capita. Dentro desse quadro, Alagoas aparece com 66% de jovens pobres, explicitando que há um longo caminho a ser percorrido para a redução da desigualdade social. A situação contrasta com o que era observado há alguns anos, quando se constatou que perto 40 milhões de brasileiros tinham deixado a extrema pobreza e ingressado na classe C, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, divulgada com destaque pela imprensa na época. O templo fluiu e eis que agora a pobreza volta a ser motivo de ?preocupação?, principalmente em razão da crise que o Brasil atravessa, com o rombo das contas públicas, gestão ineficiente e a perversa medida tomada de aumentar impostos para sanar o problema. O presidente Michel Temer disse, há algumas semanas, que o Brasil estava bem economicamente e que não mexeria nos impostos, mas mexeu, aumentando a gasolina e instituindo um PDV (Plano de Demissão Voluntária) para os funcionários públicos federais, o que demonstra uma situação de desespero face à crise ? se bem que os procuradores federais deram de ombros e aumentaram os próprios salários em 16,7%, podendo ultrapassar o que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal, R$ 33,7 mil. A conduta do presidente mereceu críticas até da própria Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) protagonista das manifestações de apoio ao impeachment de Dilma Roussef. Dentro desse universo, não há como ser otimista em relação à redução da pobreza. Além disso, há 2,5 milhões de crianças e adolescentes fora das salas no Brasil compondo um cenário que pressupõe fome, miséria e violência. O Estado se afasta das políticas públicas, basta citar os cortes no Programa de Alfabetização e na Farmácia Popular, e desestimula investimentos. A previsão é de um cenário sombrio para o futuro desses jovens pobres, desassistidos e quase esquecidos. Muitos ingressarão na criminalidade e se voltarão contra o sistema que vigora. Há saída, sim, mas o caminho é longo e requer uma mudança na postura administrativa, na mentalidade dos governantes e da própria sociedade. Enquanto isso não ocorre, vamos ter que conviver com agrura de saber que a pobreza é sim um problema de todos nós.