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O contingenciamento de verbas feito pelo governo federal, motivado pela queda na arrecadação de tributos, está comprometendo seriamente o funcionamento de diversos órgãos públicos. Os efeitos do arrocho fiscal são sentidos em praticamente todos ministérios, com impactos diretos para o cidadão. Recentemente, a Polícia Federal suspendeu a emissão de passaportes alegando falta de dinheiro. A saída foi tirar os recursos de outros setores. Já a Polícia Rodoviária Federal anunciou redução no policiamento das estradas federais. Dessa forma, diminui o patrulhamento com viaturas, suspendeu resgates aéreos e fechou unidades pelo País. Na área de Educação, foram bloqueados R$ 4,3 bilhões em despesas. Com isso, o orçamento da pasta foi reduzido para R$ 31,43 bilhões. As universidade federais estão com dificuldade de manter os serviços terceirizados, como limpeza e segurança. Na Ciência e tecnologia, o corte de recursos chega a 44% do orçamento e compromete pesquisas sobre dengue, zika, chikungunya e doença de Chagas. As Forças Armadas também não escaparam da tesoura. Com o corte de R$ 6 bilhões no orçamento, programas estratégicos foram afetados e mesmo o custeio ? como combustíveis de aeronaves ? está prejudicado. Apesar do aperto nas contas, o governo aumentou as despesas no primeiro semestre deste ano em 0,5%. Com isso, as contas federais registraram um deficit primário de R$ 56 bilhões no acumulado de janeiro a junho, no pior primeiro semestre em 21 anos. A saída encontrada pela equipe econômica foi o velho remédio amargo: aumentar impostos. Ao mesmo tempo, os números mostram que os gastos com investimentos tiveram uma queda real de 46% de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2017. Essa queda afasta ainda mais o País da taxa de investimento necessária para alavancar o crescimento. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro voltou a crescer, mas a velocidade da recuperação econômica é mais lenta que a prevista e isso se reflete nos impostos e contribuições pagos ao governo. Até que a economia apresente resultados mais substanciais, o governo continuará passando a faca nos gastos e aumentando a carga tributária. Resta saber até onde o País aguentará.

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