Opinião
PARTIU MINHA INESQUEC�VEL IRM� HELY
No último dia 20, deixei para sempre no seio da terra aquela criatura grandiosa, que além se ser uma irmã inigualável, foi para mim uma segunda mãe. Quando eu nasci ela tinha 13 anos. Fui o caçula de quatro irmãos. Meus primeiros passos, primeiros dias de aula, momentos de lazer na praia, brincadeiras no Parque Gonçalves Ledo, tudo supervisionado por ela. Mais tarde estudante de medicina, médico e ela sempre presente. Vizinha do meu consultório, todos os dias, ao entardecer, ela lá estava supervisionando a limpeza e deixando tudo ajeitado para o outro dia. Meus saudosos irmãos Mário Hélio e Márcio também tinham por ela verdadeira veneração. A casa dos meus pais era um verdadeiro tesouro em nossas vidas. Festas de Santo Antônio, reunião com os amigos adolescentes e adultos, tudo sob o comando dela. Super-saudável, dinâmica, entusiasmada pela vida, tinha muita fé em Deus e no Cristo que com certeza, fez ela viver em plenitude até os 92 anos. Era feliz em sua caminhada terrena, entre as pedras do caminho soube fazer plantações de amor que germinaram e cresceram. Daí ter sido tão amada pelos descendentes de toda família. Teve a grande felicidade de encontrar em seu caminho seu esposo, o Francisquinho, que sendo médico cuidava dela com carinho e viviam intensamente a vida viajando e passeando sem parar em sua velha Parati de 34 anos que percorriam toda Maceió todos os dias. Ambos passados dos 90 anos, possuíam um dinamismo admirável e juntos tinham um grande e feliz convívio. É assim a vida, a felicidade não veio para ficar, o tempo passa e não há forma de segurá-la. Assim, devemos colher cada dia como quem colhe um fruto saboroso. Foi isso o que ela fez bebendo o encanto de estar no mundo. Quem tem alegria tem Deus ao seu lado. Ela mostrou isso. A vida começa com a chegada, cheia de alegria e muito sorriso e termina com a partida repleta de lágrimas e muita saudade. Saudade rima com eternidade. Pode ser uma saudade bem sentida, pode ser uma saudade dolorida daquela que nos aperta o coração. É essa que estou sentindo agora de minha adorável irmã, Aía, como eu a chamava, partiu para eternidade deixando um grandioso legado afetivo. O seu sorriso, o seu abraço, a sua simpatia, seus gestos de solidariedade, a sua amabilidade, tudo isso ficou gravado no coração dos que conviveram com ela. Suas cunhadas Myrza e Urânia tinham por ela uma profunda estima, pois durante toda a vida ela foi um grande sustentáculo na educação dos nossos filhos. Durar é estar dentro da vida. Viver é ter a vida dentro da gente. Foi o que ela fez. Chegou aos 92 anos em plenitude. Que ela esteja na paz do Senhor ao lado dos nossos avós, dos nossos pais, dos nossos irmãos que tinham por ela um amor profundo, o maior do mundo. Aproveito este espaço para agradecer a extraordinária equipe médica que cuidou dela com a maior dedicação na UTI da Santa Casa.