Opinião
DESAFIOS PARA A ENERGIA NUCLEAR
O aumento contínuo da demanda por energia elétrica para atender às necessidades do mundo moderno e de uma sociedade cada vez mais exigente impõe um sério desafio aos governos de todos os países. Cabe a eles formular políticas e executar planejamento energético que assegurem o equilíbrio entre oferta e demanda deste insumo fundamental ? desafio cada vez mais complexo e difícil em função das crescentes restrições ambientais impostas à construção de novas plantas de geração elétrica. Por serem fontes interruptíveis, as renováveis, como solar e eólica, não são suficientes para suprir a demanda atual por energia. É preciso, então, buscar fontes que garantam, simultaneamente, segurança no suprimento, redução de emissão de gases de efeito estufa e competitividade econômica. Entre as que atendem aos três requisitos, a energia nuclear é uma alternativa que merece ser estudada. Apesar do avanço das energias renováveis, impulsionadas pelas incertezas do preço e oferta do petróleo, a matriz elétrica mundial continua baseada em combustíveis fósseis. Além disso, a International Energy Agency estima um crescimento de 67% na geração elétrica até 2035 ? maior do que o esperado para as demais fontes. Uma situação que traz dois problemas do ponto de vista ambiental: as emissões de CO2 (o setor foi responsável por 28% das emissões no mundo em 2012) e a interferência da geração hidrelétrica nos ecossistemas. Isso reforça a opção da energia nuclear. Existem atualmente cerca de 440 reatores nucleares em operação em 30 países e estão em construção outros 70, principalmente na China. Isto porque o insumo da energia nuclear, o urânio, tem densidade energética muito superior aos recursos fósseis, e as reservas disponíveis permitem exploração por mais tempo do que as de óleo e gás. Há outras vantagens: a geopolítica mundial do urânio é bem menos problemática do que o petróleo; as centrais nucleares geram sem interrupção (24h por dia); e o impacto de uma usina nuclear é bem menor em termos de CO2 ? levando-se em conta o ciclo de vida da energia nuclear, ela é, ao lado da eólica e hidrelétrica, a de menor emissão. Uma questão crítica são os acidentes. Apesar do temor justificado, o número de incidentes é reduzido e há um esforço grande para aumentar a segurança. Um fator indispensável, já que é claro que a geração nuclear terá cada vez mais o papel de garantir energia para um mundo mais dependente e que precisa reduzir o aquecimento global. O recente desprendimento de um iceberg de um trilhão de toneladas de gelo na Antártica é um alerta.