Opinião
DE VOLTA AO ESCAMBO
No rastro de destruição provocado pelas explosões de caixas eletrônicos no interior do Estado, municípios alagoanos estão sendo, progressivamente, remetidos para uma era quase medieval, quando o escambo prevalecia. Referência do sistema financeiro, o Banco do Brasil tem fechado agências e prejudicado correntistas, afetando o comércio da região. As que permanecem abertas estão sem numerário (cédulas), algumas com horário reduzido. A justificativa é a segurança. A ação de quadrilhas explodindo cofres tornou-se uma praga, mas não é desculpa para o fechamento de agências, já que o sistema bancário brasileiro aufere lucros espantosos com a movimentação de contas de pessoas físicas e jurídicas. O maior banco privado do País, por exemplo, teve um lucro líquido de R$ 6,176 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 20% maior do que o registrado no mesmo período no ano passado. Parte desses lucros deveria ser investida em segurança, mas os bancos preferem deixar toda a responsabilidade para o Estado ? o governo tem que fazer a sua parte, mas não pode arcar com todo o ônus. No interior de Alagoas, muitas cidades têm apenas uma agência bancária, e em torno dela gira a atividade econômica. O cerrar de portas praticamente paralisa o comércio, trava os negócios e estagna a administração pública ? os prefeitos têm feito queixas constantes, mas não são ouvidos. O Banco do Brasil tem alegado que há um processo burocrático lento para a reabertura, mas o que tudo indica é que nada está sendo feito para abreviar o trâmite. Pude sentir de perto o que vem ocorrendo quando, na semana passada, visitei vários municípios do sertão alagoano. Ouvi relatos sobre aposentados que gastam parte do pouco que recebem para se deslocar de um município a outro em busca de agências abertas, e correndo o risco, ainda por cima, de constatar que não há mais dinheiro disponível. Há um clima de indignação e revolta. Nos anos 90, o governo federal (e neoliberal) decidiu acabar com os bancos estaduais. No caso de Alagoas, sofremos uma intervenção. A solvência e a emissão de títulos foram as razões apresentadas, contudo não se levou em conta os serviços prestados para a população. O impacto social não foi considerado, e acabamos caindo nos braços das grandes instituições financeiras, frias e distantes. O que se observa hoje no interior de Alagoas é um povo desamparado e sem ter a quem recorrer. Algumas cidades não dispõem de policiamento, ficando à mercê das quadrilhas. Pretendo debater o assunto com a bancada federal, da qual sou coordenador, e com o governo do Estado, no intuito de encontrarmos uma saída que ajude e a minorar o transtorno. Caso contrário, vamos estar de volta ao escambo.