Opinião
Sinal errado
Ontem pela manhã, durante encontro com empresários, o presidente Michel Temer foi questionado sobre a possível criação de uma alíquota maior para o imposto de renda, na faixa de 30% a 35% para quem ganha mais de R$ 20 mil. Temer confirmou que a medida estava em estudos pela equipe econômica, mas não havia nada decidido. Foi o bastante para provocar uma forte reação de deputados da base aliada e do empresariado. Por causa disso, o Planalto decidiu, pelo menos por enquanto, não levar adiante a medida. Entretanto, o contribuinte deve manter as barbas de molho. Com a arrecadação em baixa, o governo analisa um pacote para reforçar o caixa em 2018. Mesmo com todo impasse gerado pelo aumento de tributos sobre os combustíveis no final de julho, a equipe econômica do governo continua analisando outros setores em que a alta de impostos possa ser empregada para fechar o Orçamento do ano que vem. O pacote pode incluir a tributação de lucros e dividendos, de fundos de investimento imobiliário e o fim da isenção para investidores estrangeiros e de benefícios fiscais. O fato é que o governo precisa desesperadamente de recursos, pois a arrecadação vem reagindo muito devagar. Além disso, as constantes mudanças na proposta do Refis têm sido um tiro no pé, já que algumas empresas deixaram de pagar tributos à espera de mais mudanças. O consenso na equipe econômica é de que, sem novos aumentos de tributos, as contas não fecham. As medidas precisam ser aprovadas este ano pelo Congresso para entrar em vigor em 2018, porque o governo não tem mais espaço para elevar tributos por meio de decreto, ou seja, sem a necessidade de aprovação pelos parlamentares, como fez no caso do PIS e Cofins sobre a gasolina, o etanol e o óleo diesel. Entretanto, a base aliada dá claros sinais de tem mais disposição para debater uma agenda tão impopular. É difícil explicar uma medida como essa à opinião pública. Num momento em que o País vive um cenário de recessão, com alto de índice de desemprego, chega a ser descabido falar em aumento de impostos. Trata-se uma medida que certamente retirará recursos do consumo, da produção e da geração de empregos. Ao admitir que está estudando a elevação dos tributos para alcançar a meta fiscal, o governo dá um sinal errado, na hora errada.