Opinião
O LOBO DO PR�PRIO HOMEM
Thomas Hobbes foi contemporâneo da Revolução Inglesa do século XVII. Chocado pelo horror que presenciou, escreveu sua obra-prima, que se tornaria um clássico da filosofia, O Leviatã, onde escreveu: ?Na França os privilégios são abominados e detestados, fazem-se revoluções para aboli-los. Na Inglaterra os privilégios são liberdades tradicionais esmeradas, e fazem-se revoluções para restaurá-las?. Na Inglaterra os privilégios ainda perduram, embora na sua versão minimalista, na forma de um pequeno grupo de herdeiros e aparentados próximos da Rainha Elizabeth. Vários plebiscitos já foram feitos e a grande maioria da população britânica votou pela preservação da monarquia, que tem manutenção e custos transparentes, bancados e controlados rigorosamente pela Câmara dos Comuns. Na França, a recente eleição presidencial de Emanuelle Macron, eleito de lavada com uma proposta de redução radical dos gastos públicos, que tinha como ponta de lança a redução de 120 mil cargos no serviço público, mostra sua coerência histórica. Os obsoletos partidos defensores do Estado grande e gastador, como o Comunista e o Socialista, foram exemplarmente enxotados. Segundo Hobbes, a instituição do Estado se faria por meio de um contrato, por meio do qual cada um cede seu direito natural a um terceiro, o soberano, na condição de que todos façam o mesmo. Pelo contrato social os sujeitos se engajam uns com os outros e se tornam um povo. Ao soberano ficaria a incumbência de garantir a paz e a segurança desse povo e configuraria o Estado. Hobbes comparava o Estado, esse ?grande Leviatã ? a um corpo artificial: a soberania é sua alma,o dinheiro seu sangue, e a riqueza a sua força. Os magistrados são suas articulações, as recompensas e as suas punições seus nervos. As leis sua razão e sua vontade. A paz designa sua saúde. Os problemas civis são sinais de enfermidade. O homem voltado somente para si mesmo, seria o lobo do próprio homem. O Brasil atual é a encarnação do Leviatã de Hobbes. Um Estado que mantém a maioria de seu povo escravo de espoliantes impostos que servem principalmente para manter uma casta de privilegiados sob o manto do serviço público, que não se engaja jamais aos demais brasileiros que sofrem o diabo sob o jugo cruel da maior recessão de todos os tempos. Eles ignoram total e insensivelmente a crise que vilipendia os brasileiros normais e querem mais e mais aumentos, num inesgotável apego pelos privilégios. Esse sujeito é o lobo do próprio homem no Brasil atual e algo forte e eficaz precisa ser feito para mitigar-lhe o eterno, voraz e insaciável apetite. Chega de impostos para bancar esses abomináveis privilégios!