Opinião
FORÇAS DESARMADAS
Amanhã é o dia do soldado, em homenagem ao nascimento do Duque de Caxias, mas a data não vai ser comemorada com pompa. O Exército brasileiro, herói e bandido em vários momentos da história do Brasil, atravessa uma fase difícil. As Forças Armadas foram envolvidas no turbilhão da crise e sofreram corte de recursos, a ponto de generais afirmarem que a estrutura está à beira de um colapso. A vigilância da fronteira, o patrulhamento da costa e a segurança aérea foram afetados drasticamente. Para se ter uma ideia, em 2012, no primeiro mandato de Dilma Roussef, o orçamento destinado às Forças Armadas era de 17,5 bilhões de reais. Hoje está em torno de 9,7 bilhões. Como se não bastasse, houve um contingenciamento de 40% (apenas parte do orçamento está sendo executada), o que leva a um aumento no número de explosões de agências bancárias. Mas o que uma coisa tem a ver com outra? É que para os assaltos, bandidos precisam de dinamite, e quem monitora os explosivos é a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, unidade do Exército que com o corte de recursos está com atuação comprometida. Com isso, as facções criminosas avançam na prática de delitos. Alguns países não possuem Forças Armadas. O caso mais notável, perto de nós, é a Costa Rica, não por acaso sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos, porém no resto do mundo, elas se fazem necessárias para garantir soberania e territorialidade. No caso do Brasil, foram formalmente constituídas a partir de 1824, e ao longo da história desempenharam um papel fundamental na consolidação da Nação, exceto quando se insurgiram e resolveram governar, com resultados desastrosos, como quando do golpe de 1964 e a ditadura que impôs durante anos. De volta à normalidade democrática, as Forças Armadas têm cumprido seu dever constitucional e respeitado as decisões governamentais ? chegaram a ser comandadas por um comunista, o alagoano Aldo Rebelo, sem esboçarem qualquer ato de rebeldia. Nos tempos de intolerância que vivemos, têm resistido aos apelos dos extremistas para adotar qualquer ação que vá de encontro à Constituição da República. Daí, a importância de manter sua capacidade operacional. É inadmissível que o patrulhamento aéreo seja reduzido, abrindo espaço para o tráfico de drogas, e que a fiscalização no mar seja restringida, dando liberdade para algo saído de filmes, como os piratas. O governo federal, que cortou programas importantes nas áreas de educação e saúde, e que ameaça o País com uma Reforma da Previdência, não pode contribuir para o sucateamento das Forças Armadas. O Brasil não merece isso.