Opinião
CATIVAR VERBO ESSENCIAL...
Conversava com Arthur, meu neto, quando ele, da cumeeira de seus sete anos de idade, me confidenciou que, em seu cotidiano, possuía alguns amigos e muitos colegas. Questionando-o sobre a diferença entre as categorias, imediatamente me respondeu que, nos primeiros, confiava, nos demais, nem tanto... Ainda sob o efeito daquela resposta, lembrei de quando, pela primeira vez, li o ?Pequeno Príncipe? de Exupéry. Deliciei-me, ali, com cascatas de frases, sempre muito bem aplicadas à vida. Uma delas é ?Somos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos?. Sob o efeito daquela máxima, sempre vivi na expectativa de granjear a simpatia dos semelhantes. Ato contínuo, ainda pensando nos ensinamentos que acabara de escutar de meu ?jovem amor?, recordei quando, já adulto, li sobre a vida de Charlie Chaplin, a criatura estimuladora do sorriso humano mas, também, incisivo ao afirmar: ?A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passos de ganso, para a miséria e morticínio?. Ele deixou claro, ao contrário do pregado por Exupéry, que nós devemos, sim, ser eternamente responsáveis pelos que nos cativam. Continuando o diálogo com o meu neto, fiz-lhe ver as duas opções mencionadas, deixando claro o longo tempo em que venho procurando ser delicado e amigável com quem, regularmente, me procura cativar. Dando continuidade àquele papo cabeça, ele citou alguns exemplos de amigos e colegas.... de meu lado, também lhe mencionei nomes de pessoas que fazem por merecer, não somente todo meu respeito, como também carinho e afeto. Foi, então, que surgiu o nome de Milton Hênio de Gouveia. No dia anterior participara, no Plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas, da solenidade de entrega da Comenda Ledo Ivo ao médico de inúmeros alagoanos. Falei-lhe, de como me impressionara, não com a quantidade de pessoas, presentes ao evento, mas, sim, de como consegui sentir, no olhar de todos, um sentimento de respeito, sinceridade e carinho para com o homenageado. Doutor Milton Hênio é dessas pessoas que vivem para ser bom e fazer o bem, nos ensinando, a todos: por mais voltas que o mundo dê, um dia iremos reencontrar, em algum ponto. Um local pacífico, onde, já desapeados de cargos, ostentações e poderes efêmeros, estaremos falando a mesma língua, bebendo a mesma água, contando nossas histórias e rindo, um riso leve e sincero. Só, então, falei para Arthur que ele estava certo, pois eu também pensava assim, embora a cor de prata, aos poucos dominando a minha cabeça, me faça ver existirem, sim, pessoas que são colegas, embora também possam ser amigas e vice-versa. Pensando desta forma, acredito estaremos cada vez mais preparados para percorrer, juntos, este longo caminho que é a vida, onde, na maioria das vezes, nos preocupamos com os dias presentes, sempre mirando o futuro com olhos livres. Que Arthur, meu neto, seja tão feliz como eu e possua, em sua vida, alguém que o cative como Doutor Milton Hênio o fez comigo.