Opinião
Radicalização
Nos últimos tempos, a questão do terrorismo tem sido recorrente neste espaço, motivado pelos atentados praticados em várias partes do mundo, sobretudo os mais recentes ocorridos em países europeus. Nice, Estocolmo, Berlim, Paris e Londres já viveram esses episódios. Ontem foi a vez de Barcelona, onde morreram 13 pessoas e outras dezenas ficaram feridas. O modus operandi tem se tornado comum: jogar veículos contra pedestres em áreas movimentadas. Foi o ataque mais grave ocorrido na Espanha desde o dia 11 de março de 2004. O grupo extremista Estado Islâmico prontamente assumiu a autoria do atentado em território catalão, mas nem sempre é possível determinar se há conexão direta entre o executor da ação e as organizações terroristas, pois estas vêm buscando formas de conflito mais descentralizadas e individualizadas. A internet e as redes sociais tornaram muito mais fácil a disseminação de ideologias radicais e não faltam indivíduos prontos a absorver essa visão de mundo, mesmo que não venham a fazer parte efetiva desses grupos. A radicalização, porém, tem várias frentes e motivações. Na semana passada, um confronto entre supremacistas brancos e antifascistas deixou três mortos e 34 feridos em Charlottesville, nos Estados Unidos. A situação foi desencadeada após um protesto organizado pela extrema-direita do país, que se posiciona contra negros, gays, imigrantes e judeus. Esse pensamento neonazista têm encontrado guarida entre jovens de vários países, inclusive do Brasil. A comunidade internacional tem se esforçado para combater o terrorismo, mas é uma luta difícil e por vezes aparentemente inócua, que vai exigir ações cada vez mais integradas. Como já foi dito neste espaço, o terrorismo não é um fenômeno novo na história da humanidade, mas o processo de globalização permitiu a transformação do caráter, dimensão, capacidade letal e as formas de percebê-lo. Racismo, alienação e desigualdade são o primeiro terreno fértil para o florescimento da radicalização, mas ela não é exclusiva de pobres e excluídos. É um processo psicológico que envolve ideias e valores. Combater essas ideias e neutralizar a influência dessas organizações sobre os jovens é um grande desafio, que não pode ser atacado somente com tanques, mísseis e bombas.