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Opinião

Vida que renasce

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A conhecida canção No último pau de arara, já interpretada por grandes vozes da música popular brasileira, como Gilberto Gil e Raimundo Fagner, retrata as agruras vividas pelo sertanejo, que sofre com os longos períodos de estiagem e muitas vezes se vê obrigado a deixar sua terra natal. Num dos trechos, entretanto, o autor traduz fielmente uma realidade que o nordestino sabe muito bem: ?A vida aqui só é ruim quando não chove no chão, mas se chover dá de tudo, fartura tem de porção?.?. Esses versos servem para ilustrar perfeitamente o que está acontecendo atualmente no Sertão e no Agreste de Alagoas. As duas regiões viveram, nos últimos seis anos, uma das maiores secas das últimas décadas. No semiárido, metade do rebanho bovino pereceu. Da terra, pouca coisa brotava. Rios, riachos e açudes secaram. O sertanejo só não passou fome por causa dos programas sociais do governo federal. Em outras épocas, era comum a invasão de feiras e mercados. Eis que os céus foram generosos este ano e tem chovido copiosamente sobre o Estado. Quase imediatamente a paisagem mudou. O verde voltou a predominar, o rebanho que sobreviveu à escassez de pasto começa a ganhar peso e já se prevê um aumento grande na produção de leite, milho, feijão e hortaliças. É o que mostra reportagem nesta edição da Gazeta, escrita pelos jornalistas Arnaldo Ferreira e Patrícia Bastos. A seca é um fenômeno natural e, no caso do Nordeste, os primeiros relatos datam do final do século XVI. Calcula-se que a cada 100 anos há entre 18 e 20 anos com secas intensas. Desde a década de 1980, entendeu-se que não era possível ?combater? ou ?enfrentar? a seca, mas era necessário aprender a conviver com ela. Desde então, algumas ações vêm sendo adotadas, desde as mais simples, como a instalação de cisternas para captar a água da chuva, até o polêmico megaprojeto da transposição das águas do rio São Francisco. Entretanto, ainda falta muito para que o problema seja minimizado. Volta e meia, municípios nordestinos passam por crises hídricas e precisam ser abastecidos por carros-pipas. É preciso a adoção de uma política de desenvolvimento sustentável para o Nordeste, democratizando o acesso à água. A seca não é apenas um problema climático; é também social.

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