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ANTÔNIO DE PÁDUA E A ÉTICA COTIDIANA

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Já convivíamos assiduamente nas sessões da Academia Alagoana de Medicina, cuja fundação se deve em muito ao Pádua, quando mais de 20 anos atrás foi diagnosticado com um linfoma de Hodgkin. Iniciamos a radioterapia e a resposta foi muito satisfatória, com exceção de um gânglio na região supraclavicular direita, que permanecia inalterado. Chegamos ao final do tratamento e nada de o rebelde gânglio render-se. Permanecia duro e irregular. Tinha mau aspecto. Resolvemos, conjuntamente, fazer uma biopsia. O resultado: metástase linfática de um tumor de tireóide. O Pádua recebeu o diagnóstico de um segundo câncer concomitante com uma serenidade e uma coragem inigualáveis. Sem titubeios enfrentou com galhardia os dois tratamentos, os quais superou definitivamente. Esses desafios e muitos outros que também maltrataram a sua saúde ao longo do tempo, não o impediram de exercer a reumatologia com excelência, além de esmerar-se nas presidências do Conselho Regional de Medicina e da Academia Alagoana de Medicina. Envolvido com a dignidade e a ética no exercício da Arte Hipocrática, dedicou-se a uma cruzada ética por todo o País, onde seu nome ficou definitivamente marcado como maior referência nacional. A bioética de sua pregação: autonomia; não-maleficência, beneficência e Justiça e Equidade, atualíssimas, são um apelo e um clamor da sociedade que extrapolam os amplos horizontes da Medicina. Pois mesmo enfermo e aposentado de uma honrada e virtuosa carreira como médico do Hospital Universitário, Pádua rejeitava os excessivos privilégios de determinadas categorias do Serviço Público, que usurpam irremediavelmente os princípios básicos da Equidade e da Justiça, que preconizam que não se atribuam a alguns privilegiados recursos excessivos, o que fatal e perversamente deixará muitos outros igualmente necessitados, totalmente desassistidos. Sensível, sofria com a degradante situação nacional. Pádua partiu precocemente aos 65 anos, contudo, cumpriu exemplarmente a sua missão. Pai de família modelar deixou-nos dois filhos adoráveis: Lígia e Antônio de Pádua, que exalta: ?Meu pai fazia qualquer sacrifício por um abraço amigo!?, e três netos: Liz, Lucius e Nice. Com Adélia, sua esposa, formava um casal perfeito. Viajavam sozinhos pelo mundo, como jovens amantes, um se bastando ao outro. Antônio de Pádua Cavalcante partiu. Todavia, sempre que um médico se defrontar no exercício da profissão com uma situação difícil que configure um dilema ético ou moral, basta lembra dele e de sua cruzada para tomar a decisão correta que preserve intocáveis, a dignidade do paciente e da Medicina.

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