Opinião
País desigual
Nos últimos anos, o Brasil experimentou alguns avanços sociais notáveis. O acesso à educação ? do ensino fundamental ao superior ? foi ampliado, a mortalidade infantil caiu significativamente, houve uma melhoria de renda e, em 2014, o País saiu do Mapa da Fome. Pesquisas e relatórios sociais do IBGE, Ipea, PNUD, FAO, Cepal, Banco Mundial, Banco Interamericano e outras organizações constataram mudanças sociais expressivas no Brasil a partir de 2003, reconhecendo nas políticas sociais brasileiras aspectos meritórios a serem conhecidos por outros países. Entre 2003 e 2014, a extrema pobreza caiu de 8,2% para 2,5% e a pobreza, de 23,6% para 7,0%. Em termos quantitativos, a queda nesse período foi ainda mais impressionante, pois o contingente de pessoas em extrema pobreza ou pobreza era, em 2014, um terço do que era em 2003. Nesse período, em termos de pessoas, a extrema pobreza caiu de 14,6 milhões para 5,2 milhões de pessoas; o contingente de pobres passou de 41,8 milhões para 14,1 milhões. Entretanto, com o agravamento da crise econômica, a partir de 2014, aos poucos essas conquistas começaram a se perder. As medidas mais recentes do atual governo caminham justamente no sentido contrário ao que vinha sendo feito. O fato é que as desigualdades estão se aprofundando na sociedade brasileira, e especialistas atribuem isso à falta de políticas que garantam acesso a direitos básicos. O poder público ainda não conseguiu construir garantias mínimas de bem-estar social. Para o Instituto Ethos, a situação do Brasil segue tendências de aumento das diferenças entre pobres e ricos identificada pelo economista francês Thomas Piketty na Europa e América do Norte. Entre os problemas destacados está a falta de medidas que apoiem os atendidos por programas de transferência de renda, para superar a pobreza. Juntamente com programas como o Bolsa Família, é precisa haver um conjunto de ações estruturantes, que exigem mais tempo e organização. Apesar de ter sido reduzida, a desigualdade no Brasil ainda supera a de qualquer país desenvolvido e é, provavelmente, o maior nível de desigualdade entre economias com o mercado interno dinâmico. Trata-se, portanto, de um dos problemas mais graves do País.