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Opinião

GOLPINHO

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Com a eleição da nova assembleia constituinte, o jornal Folha de São Paulo anunciou que agora vai chamar a Venezuela de ditadura. Mesmo que o Chavismo já tenha destruído quase todas as pedras fundamentais da democracia, como a imprensa livre, a separação entre os poderes e a continuidade constitucional, falta ao regime romper a última barreira, sem a qual, falar em golpe não faz sentido. Se ano que vem ocorrerem eleições verdadeiramente livres, como está previsto, a ditadura de Maduro poderá ser revogada pela vontade popular. É óbvio que um regime que se deixa espontaneamente subjugar, não é verdadeiramente totalitário. O jornal paulista aposta, como eu, que isso não acontecerá, o que justificaria a mudança de nomenclatura. Há um ano o impeachment de Dilma vem sendo tratado pela esquerda como golpe. Além de todas as instituições, por aqui, estarem funcionando, em 2018 teremos eleições confiáveis. Mesmo que Lula seja condenado, acinzentando o cenário, ainda assim a esquerda pode chegar ao poder via voto popular. Ao pé da letra, então, não foi golpe. Isso não significa, contudo, que o impeachment não tenha sido uma tentativa orquestrada de tomada do poder. Ao que tudo indica, a base de apoio de Dilma decidiu eliminar a intermediária inconveniente. Não porque Dilma fosse ruim (apesar de ela ser) e sim apenas porque, no presidencialismo de coalisão, a única parte obrigada a ser ética é o presidente. O parlamentarismo, sistema que serve muito bem a outros países, no Brasil seria um desastre. O País seria governado por uma aliança de deputados que ganham eleição asfaltando rua e prometendo posto de saúde, sem um presidente, que tem que encarar uma eleição majoritária, com discussão dos temas espinhosos e debates eleitorais. Temer nada mais é que nosso primeiro primeiro-ministro. A reforma política com Distritão e fundo eleitoral é uma espécie de golpinho. Ela impede a renovação, perpetuando a atual elite política em Brasília. O meio golpe permitirá a mudança do presidente, mas não a do congresso, que já mostrou que é quem realmente manda. Permaneço indeciso sobre o impeachment. Sempre achei que, sem fazendeiro, por pior que ele fosse, as raposas que comandam o galinheiro dariam um jeito de se eternizar. Aconteceu. E não esqueçamos que, após as eleições, sobram alguns meses para os deputados, já reeleitos, votarem algumas leis sobre uma tal de Lava Jato.

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