Opinião
17 DE JULHO O LIVRO
Sem sombras de dúvidas, registrar no papel fatos marcantes de uma comunidade é atividade muito difícil para quem se propõe a fazê-lo, pois, se por um lado existem lembranças, às vezes adormecidas nas prateleiras dos institutos e academias, por outro, quem vivencia aqueles fatos se apresenta como de vital importância por serem testemunhas deles. É quando surge o grande paradoxo sobre o qual precisamos refletir: o confronto entre a história verdadeira e aquela cujo autor planeja escrever, muitas vezes distorcendo feitos e ocorrências, gerando trabalhos repletos de credibilidade e outros, onde somente alguns segmentos da comunidade alfabetizada sacia suas necessidades de saber. Como leitor, sempre busco aprender com erros e acertos, interpretando, com a sabedoria que faço por onde possuir, as ocorrências de uma época, vivenciando conflitos, eternizando atritos e paixões, mas, principalmente, me esforçando para afastar do peito as trevas das queixas ou o glamour dos aplausos, do fel, da mágoa ou, até mesmo, da falta de esperança que acinzentam o brilho da alma. Com estes sentimentos, iniciei a leitura do trabalho literário de Joaldo Cavalcante, intitulado ?17 de Julho?, uma alusão à inesquecível data do ano de 1997, quando o então governador do Estado, Divaldo Suruagy, pediu licença do cargo ocupado por ele anteriormente em duas oportunidades, sendo substituído por seu vice, Manoel Gomes de Barros. Para nós, na maioria das vezes acostumados a ler as histórias de nosso mundo, forjadas na ótica dos escritores, relatadas há séculos ou milênios, a oportunidade de relembrar noticias ocorridas há vinte anos, mas tão recentes na memória de quase todos, é extremamente gratificante. 17 de Julho é um livro que deve ser lido e relido por todos os alagoanos, com o dever de conhecer, não apenas os acontecimentos daquela data fatídica, mas, dos bastidores do evento, dos personagens da história, e, principalmente, a verdade inconteste de tudo o quanto foi exposto naquele trabalho de pesquisa dos escritos da época, com a compilação de depoimentos de inúmeros circunstantes. De uma leitura extremamente fácil e envolvente, relata reuniões públicas, como a ocorrida no Salão de Despachos do Palácio dos Martírios, entre os funcionários estatais em paralisação nas suas atividades laborais e as autoridades de então, quando, após dez horas de extenuante discussão, foi terminada na pancadaria, com a polícia militar, expulsando os grevistas daquele ambiente a base do cassetete, até eventos privados, entre integrantes do alto escalão do Estado, quando, o então Procurador da Assembleia Legislativa, Mendes de Barros, fazendo uso da palavra em bom português falou: ?A culpa de tudo isto que está acontecendo, Divaldo, é sua, que não para em Alagoas e, quando viaja, deixa o Estado nas mãos deste tonto, que é seu vice?. Como o vice estava presente ao evento, o tempo esquentou... Cumprimento Joaldo Cavalcante, o autor de 17 de Julho. De parabéns, Alagoas que, a partir de agora, terá importante parte de sua história preservada ?ad eternum?.