Opinião
Desigualdade persistente
Relatório do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro concluiu que as desigualdades raciais, de gênero e sociais continuam altas no Brasil. Segundo o documento, divulgado esta semana, apesar do desenvolvimento econômico dos últimos anos, as desigualdades não diminuíram e dificultam a vida dos brasileiros. O documento analisou os números de 2011 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, pessoas pretas e pardas (chamadas negras pelo próprio IBGE), quando somadas, são maioria entre os brasileiros, 55% da população. No entanto, em relação aos rendimentos desse grupo, à escolaridade e às classes sociais, estão em desvantagem quando comparadas às pessoas brancas, no topo dos indicadores. As mulheres negras, em geral, estão sempre nos mais baixos patamares. O rendimento delas era o menor da pesquisa, R$ 800, enquanto as mulheres brancas obtinham, por mês, R$ 1.496. Já homens brancos alcançaram quase o dobro do rendimento médio das pretas e pardas, R$ 1.559. No quesito educação, essas discrepâncias também permanecem. Os pesquisadores alertam para o fato de que, em tempos de crise, a tendência é que as desigualdades se aprofundem, como é o caso do desemprego. A falta de trabalho já atinge de maneira mais severa a população preta, depois a parda e, por fim, a branca. O Brasil vinha em uma trajetória da queda da desigualdade da renda do trabalho, queda da pobreza e até tinha saído do mapa da fome, segundo a FAO. Entretanto, a partir de 2015, a economia desacelerou e agora é que começa a dar os primeiros sinais de recuperação, embora ainda tímidos. A desigualdade social sempre foi apontada como um dos principais problemas do Brasil. Somos o décimo país mais desigual do mundo, de acordo com relatório elaborado pelas Nações Unidas. As principais causas para esse fenômeno são a falta de acesso à educação de qualidade; política fiscal injusta; baixos salários e a dificuldade de acesso a serviços básicos como saúde, transporte público e saneamento. Para corrigir essa distorção, deve-se aliar democracia com eficiência econômica e justiça social. Uma fórmula complexa.